A ONG Instituto Conhecer Brasil afirmou que não utilizou recursos públicos na produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas, o projeto audiovisual teria sido financiado exclusivamente com capital privado e investimentos internacionais.
Caso envolvendo emendas parlamentares chega ao STF
O nome do Instituto Conhecer Brasil passou a ser investigado após decisão do ministro Flávio Dino, que determinou apuração sobre o destino de emendas parlamentares ligadas à Academia Nacional de Cultura. A entidade é presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama, que também comanda o Instituto Conhecer Brasil e integra a produtora GoUp Entertainment, responsável pelo longa sobre Bolsonaro.
A investigação teve origem em representação apresentada pela deputada federal Tabata Amaral. De acordo com a parlamentar, o deputado Mário Frias teria destinado cerca de R$ 2 milhões em emendas parlamentares à Academia Nacional de Cultura. Além disso, a entidade aparece relacionada a aproximadamente R$ 2,5 milhões em emendas Pix indicadas por parlamentares do PL, entre eles Bia Kicis, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem.
Filme teria sido bancado por investidores privados
Apesar das suspeitas envolvendo contratos e repasses públicos destinados a entidades ligadas à empresária, informações apontam que Dark Horse não recebeu dinheiro de emendas parlamentares ou verbas governamentais. O filme entrou no debate público após reportagens publicadas pelo site Intercept Brasil.
Parte das investigações também envolve o projeto audiovisual Heróis Nacionais — Filhos do Brasil que não se rendem, associado à estrutura de produção do grupo empresarial ligado a Karina Ferreira da Gama.
Disputa empresarial no programa WiFi Livre SP
O Instituto Conhecer Brasil também esteve no centro de disputas comerciais relacionadas ao programa WiFi Livre SP, criado para ampliar o acesso à internet em comunidades carentes da capital paulista. Antes da entrada da ONG no projeto, empresas privadas do setor de telecomunicações dominavam o programa, entre elas a Surf Telecom.
Após mudanças no edital municipal, organizações do terceiro setor passaram a poder participar da expansão do serviço. O instituto venceu a concorrência e contratou empresas especializadas para executar a operação técnica, incluindo a Ultra IP Tecnologia e Serviços Ltda.
Segundo documentos mencionados no caso, o relacionamento entre a ONG e a Ultra IP acabou gerando investigações policiais. A entidade acusou a empresa de interromper centenas de conexões de internet instaladas em comunidades vulneráveis atendidas pelo programa. Também foram relatadas falhas técnicas, descumprimentos contratuais e dificuldades na correção dos problemas identificados.
Karina Ferreira da Gama ainda relatou à Polícia Civil uma suposta tentativa de extorsão envolvendo cobrança de aproximadamente R$ 2,5 milhões, além de ameaças relacionadas à divulgação de informações internas e exposição pública da ONG.
Ligações políticas e bastidores do setor de telecomunicações
O caso ganhou novos desdobramentos após reportagens publicadas pelo jornalista Paulo Motoryn, do Intercept Brasil. Conforme divulgado, ele possui relação familiar com Mauro Motoryn, atual diretor de desenvolvimento da Surf Telecom.
Mauro Motoryn tem histórico de atuação nos setores de publicidade, telecomunicações e comunicação política em Brasília. Ao longo dos anos, trabalhou em áreas ligadas a governos petistas e participou de projetos vinculados à publicidade institucional federal. Recentemente, também manifestou posicionamentos políticos alinhados à esquerda em entrevistas e artigos publicados na imprensa.
Enquanto o STF e órgãos de controle aprofundam as investigações sobre o uso de emendas parlamentares e contratos públicos relacionados às entidades comandadas por Karina Ferreira da Gama, a produção do filme Dark Horse segue cercada por debates políticos e empresariais. A principal alegação apresentada até o momento é que a cinebiografia de Jair Bolsonaro teria sido financiada sem utilização de recursos públicos.