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Economia

Tarifa de 25% dos EUA sobre produtos brasileiros entra em vigor; governo prepara apoio a setores afetados

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Uma nova tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a parte dos produtos importados do Brasil entrou em vigor à 1h01 desta quarta-feira (22), pelo horário de Brasília. A medida, oficializada pelo governo do presidente Donald Trump na semana passada, poderá afetar bilhões de dólares em exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Embora mais de 2,1 mil produtos tenham sido excluídos da sobretaxa, diferentes segmentos da economia brasileira estarão sujeitos à nova cobrança. O governo federal estima que aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos sejam alcançadas pela medida.

Sobretaxa será adicionada aos impostos já existentes

A tarifa de 25% será aplicada às mercadorias importadas ou retiradas de armazéns para consumo nos Estados Unidos a partir desta quarta-feira.

A cobrança será acrescentada às alíquotas de importação que já incidem sobre os produtos. Dessa forma, uma mercadoria submetida atualmente a uma tarifa de 5%, por exemplo, passará a enfrentar uma carga total de 30% para entrar no mercado norte-americano.

Há, entretanto, uma regra de transição. Produtos que tenham sido embarcados antes da entrada em vigor da nova tarifa não estarão sujeitos à cobrança adicional, desde que desembarquem nos Estados Unidos até o dia 29 de julho.

O impacto potencial sobre as vendas brasileiras pode chegar a US$ 11 bilhões, considerando os produtos que poderão enfrentar as novas condições comerciais.

Investigação dos EUA antecedeu decisão

A decisão foi divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) após uma investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Entre os pontos apresentados pelo governo norte-americano estão questionamentos relacionados ao comércio digital, às condições de acesso ao mercado brasileiro de etanol, às políticas envolvendo o Pix e às medidas adotadas no combate ao desmatamento.

Esses fatores foram apontados pelos Estados Unidos no contexto das práticas comerciais brasileiras consideradas desleais pela administração norte-americana.

Mais de 2,1 mil produtos ficaram fora da tarifa adicional

Apesar da adoção da sobretaxa, Washington estabeleceu uma extensa lista de exceções. Mais de 2,1 mil produtos não serão atingidos pela tarifa adicional.

Entre os itens isentos estão importantes produtos da pauta de exportações do Brasil, incluindo carne bovina, café, laranja, suco de laranja, petróleo bruto e derivados e minério de ferro.

Também ficaram fora da cobrança adicional aeronaves civis, motores e componentes para aviões, computadores, celulares, semicondutores, vacinas, insulina e fertilizantes.

As exceções buscam limitar possíveis consequências para a própria economia norte-americana e preservar cadeias de suprimentos consideradas estratégicas.

Etanol, aço, máquinas, calçados e móveis estão entre os produtos atingidos

Outros setores, porém, terão de lidar com o aumento das tarifas para acessar o mercado dos Estados Unidos.

A lista de produtos sujeitos à cobrança adicional inclui etanol produzido a partir da cana-de-açúcar e outros biocombustíveis, além de celulose branqueada, aço e alumínio semiacabados.

Também serão afetados segmentos ligados a máquinas agrícolas, equipamentos utilizados na mineração, transformadores elétricos, calçados, móveis de madeira, pisos, revestimentos, rochas ornamentais, vestuário e tecidos.

Governo estima US$ 7,4 bilhões em exportações afetadas

Segundo dados apresentados pelo governo federal, aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos estarão sujeitas à nova medida.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio França, esse percentual corresponde a cerca de US$ 7,4 bilhões em embarques, tomando como referência os números registrados em 2024.

O impacto efetivo da medida dependerá do comportamento das exportações e das consequências da nova tarifa sobre a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano.

Brasil tem Lei da Reciprocidade, mas governo indica cautela

O Brasil possui um instrumento legal que permite responder a barreiras comerciais adotadas por outros países.

A Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso em abril de 2025 e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em julho daquele ano, autoriza a adoção de contramedidas diante de restrições comerciais impostas ao país.

Apesar da entrada em vigor da tarifa norte-americana, o Palácio do Planalto sinalizou que não pretende utilizar imediatamente esse mecanismo.

Na terça-feira (21), após reunião com representantes de setores exportadores, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu uma postura cautelosa diante da possibilidade de uma reação comercial brasileira.

Alckmin destacou que a legislação foi aprovada por unanimidade, mas afirmou que seu objetivo não deve ser simplesmente promover uma retaliação. Ao abordar os riscos de uma escalada de medidas entre os dois países, o vice-presidente recorreu à ideia de que uma política baseada em respostas sucessivas poderia trazer prejuízos para ambos os lados.

Governo prepara programa para setores prejudicados

Enquanto acompanha os efeitos da nova política tarifária dos Estados Unidos, o governo brasileiro trabalha na elaboração de medidas destinadas às áreas mais expostas à sobretaxa.

Segundo Geraldo Alckmin, está sendo preparado um programa de apoio aos segmentos mais impactados pela decisão norte-americana.

Com a tarifa adicional já em vigor, a atenção agora se concentra nos efeitos sobre as exportações brasileiras, na capacidade dos setores atingidos de manter competitividade nos Estados Unidos e nas próximas medidas que poderão ser adotadas pelo governo para reduzir os prejuízos econômicos.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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