Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ouvidos reservadamente pela Revista Oeste, avaliam que integrantes da própria Corte estariam construindo um ambiente que poderia ser utilizado para questionar o resultado das eleições caso o senador Flávio Bolsonaro (PL) saia vencedor.
Segundo os relatos publicados pela revista, um dos pontos de tensão envolve o ministro André Mendonça, relator do processo relacionado ao Banco Master no STF. A atuação do magistrado é apontada, por integrantes da Corte consultados pela reportagem, como alvo de questionamentos quanto à sua suposta parcialidade.
Disputa sobre a atuação das instituições
Na avaliação dos ministros ouvidos, estaria sendo formada uma narrativa destinada a relacionar decisões judiciais, investigações e vazamentos a interesses políticos e eleitorais.
Um dos magistrados afirmou que estaria sendo criado um ambiente capaz de alimentar questionamentos sobre a atuação das instituições. Outro integrante do STF avaliou que esse cenário poderia contribuir para levantar dúvidas sobre a neutralidade dos órgãos envolvidos no processo eleitoral.
As discussões ganharam força em meio às informações presentes em um relatório da Polícia Federal (PF) que registrou conversas pelo WhatsApp entre o ministro Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master.
O documento também registrou pedidos de auxílio feitos por Vorcaro ao magistrado.
Declarações de Gilmar Mendes aumentaram a tensão
Outro elemento citado na reportagem são as manifestações públicas do ministro Gilmar Mendes, decano do STF, relacionadas ao caso Banco Master.
Durante uma sessão do Supremo na qual poderia ser analisada a abertura de uma investigação envolvendo Moraes, Mendes fez críticas à atuação de André Mendonça, classificando-a como marcada por um suposto viés político-eleitoral.
Em outro episódio, o decano utilizou a expressão “pixuleco eleitoral” ao se referir a Mendonça, em referência a um boneco inflável do ministro levado por manifestantes à Avenida Paulista durante o 7 de Setembro.
Mendes também relacionou o andamento de determinadas medidas ao período eleitoral. Segundo ele, a retirada do sigilo do processo e o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, teriam avançado à medida que o calendário eleitoral se aproximava.
Gilmar Mendes já havia alertado sobre politização
As preocupações envolvendo a Justiça Eleitoral também foram manifestadas anteriormente pelo próprio Gilmar Mendes.
Meses antes, o ministro afirmou que o STF poderia funcionar como uma instância de revisão caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não conduzisse a eleição com imparcialidade.
Em publicação na rede social X, Mendes também advertiu para o que classificou como risco de politização da Justiça Eleitoral e questionou a permanência de integrantes que tentassem levar o tribunal para uma atuação de natureza partidária.
O cenário descrito pela Revista Oeste reúne divergências internas no STF, questionamentos sobre a atuação de ministros, o conteúdo de mensagens reveladas em relatório da Polícia Federal e manifestações públicas de Gilmar Mendes sobre a Justiça Eleitoral.
De acordo com os ministros ouvidos reservadamente pela publicação, esse conjunto de acontecimentos poderia contribuir para a construção de um ambiente de desconfiança institucional diante do processo eleitoral e, em um eventual cenário de vitória de Flávio Bolsonaro, ser utilizado em questionamentos sobre o resultado das urnas.