A reação do ministro Alexandre de Moraes ao inquérito da Polícia Federal (PF) que veio a público nesta semana foi rápida. Depois que o conteúdo da investigação se tornou conhecido, por determinação do ministro André Mendonça, Moraes solicitou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a abertura de uma investigação contra o próprio Mendonça.
A iniciativa, porém, não encerra os questionamentos levantados a partir das informações presentes no inquérito. Segundo análise publicada pelo jornalista Lauro Jardim, em sua coluna no jornal O Globo, ainda existem pontos relacionados à relação de Moraes com Daniel Vorcaro que, na avaliação do colunista, precisam ser esclarecidos.
Encontros com Vorcaro entram no centro dos questionamentos
Um dos principais pontos mencionados diz respeito a oito encontros presenciais entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, empresário apontado no texto como cliente do escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.
A questão levantada é sobre o conteúdo dessas reuniões e as circunstâncias em que ocorreram. O texto questiona quais assuntos foram tratados durante os encontros.
Outro episódio citado envolve mensagens enviadas por Vorcaro ao número de telefone de Moraes. De acordo com as informações atribuídas à PF, o empresário teria encaminhado 28 mensagens na semana em que foi preso pela primeira vez, em novembro do ano passado.
Entre as mensagens estaria uma pergunta enviada dois dias antes da prisão, na qual Vorcaro buscava saber se deveria estar fora da prisão na segunda-feira.
Contrato de R$ 131 milhões também é citado
Outro ponto destacado na análise de Lauro Jardim envolve um contrato no valor de R$ 131 milhões firmado entre o escritório de Viviane Barci de Moraes e Daniel Vorcaro.
Segundo as informações apresentadas no artigo, a versão final do documento teria passado por uma revisão de Alexandre de Moraes. Diante disso, o colunista questiona qual é a avaliação do ministro sobre o valor estabelecido no acordo e se considera a quantia adequada.
A análise também faz uma associação com uma expressão utilizada anteriormente por Moraes ao tratar de pagamentos adicionais destinados a magistrados. Na ocasião, o ministro teria classificado determinados pagamentos como “exorbitantes”.
Questionamentos sobre a relação com o empresário
A análise publicada em O Globo sustenta que, embora Moraes tenha respondido rapidamente ao episódio envolvendo André Mendonça, ainda permanecem dúvidas relacionadas à sua relação com Vorcaro.
Entre os pontos levantados estão os encontros presenciais, as mensagens encaminhadas pelo empresário antes de sua prisão e a participação atribuída a Moraes na revisão final do contrato firmado entre Vorcaro e o escritório de sua mulher.
O questionamento central apresentado pelo colunista é se o ministro considera que deve prestar esclarecimentos públicos sobre sua relação com o empresário.
A resposta de Alexandre de Moraes ao episódio envolvendo o inquérito da Polícia Federal e André Mendonça ocorreu rapidamente, mas a análise de Lauro Jardim aponta que outros questionamentos permanecem em aberto.
Os principais pontos citados envolvem os encontros com Daniel Vorcaro, as mensagens enviadas antes da prisão do empresário e o contrato de R$ 131 milhões firmado com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
As questões apresentadas pelo jornalista colocam no centro do debate a necessidade de esclarecimentos sobre esses episódios e sobre a relação entre Moraes e Vorcaro.