A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) se manifestou nesta terça-feira (1º) sobre as informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A entidade defendeu que os fatos sejam investigados de forma rigorosa e independente, diante da crise que envolve diferentes instituições da República.
Relatório da Polícia Federal reúne mensagens
A manifestação da OAB ocorreu após a divulgação de um relatório da Polícia Federal elaborado a partir de mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. O material reúne conversas mantidas pelo banqueiro com Alexandre de Moraes e outras autoridades, além de registros de encontros ocorridos entre 2024 e 2025.
Entre os pontos apresentados pela investigação está um contrato no valor de R$ 130 milhões firmado entre o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e Daniel Vorcaro.
De acordo com o relatório ———————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————-da PF, Moraes teria participado de alterações relacionadas ao contrato. As mensagens atribuídas a Vorcaro também indicariam que o banqueiro considerava o pagamento ao escritório uma questão prioritária e teria pressionado um dos sócios para que a quitação fosse realizada.
Viagens para evento em Londres também aparecem no relatório
Outro conjunto de mensagens analisado pela Polícia Federal trata de conversas relacionadas ao financiamento de viagens para Londres.
Segundo o relatório, houve tratativas envolvendo o custeio de viagens de Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, com destino a um evento realizado na capital britânica.
O documento reúne, portanto, diferentes comunicações envolvendo Vorcaro e autoridades públicas, que passaram a integrar o contexto das apurações.
OAB defende respeito às garantias constitucionais
Ao divulgar seu posicionamento, a OAB ressaltou que a investigação deve alcançar todos os fatos e pessoas eventualmente envolvidas, sem distinção.
A entidade também destacou a necessidade de preservar garantias previstas na Constituição, como o devido processo legal, o direito à ampla defesa e a presunção de inocência.
Para a Ordem, a observância desses princípios é fundamental para assegurar a legitimidade das investigações e permitir que os fatos sejam esclarecidos de maneira rigorosa e imparcial.
Apuração deve esclarecer os fatos
A manifestação da OAB coloca a entidade entre as instituições que acompanham os desdobramentos envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master, Alexandre de Moraes e outras autoridades mencionadas no relatório da Polícia Federal.
As informações apresentadas no documento ainda dependem da devida apuração dentro dos procedimentos legais. A posição da OAB é pela investigação ampla e isenta, com respeito aos direitos constitucionais de todos os envolvidos.