A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de não utilizar a escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) durante a disputa pela Presidência da República provocou preocupação entre integrantes do PL e pessoas próximas à família Bolsonaro. Nos bastidores, aliados avaliam que a escolha pode aumentar a exposição do parlamentar a situações de risco durante a campanha eleitoral.
Flávio optou por continuar utilizando a estrutura de segurança da Polícia Legislativa do Senado Federal, responsável por sua proteção pessoal desde o início de seu atual mandato, em 2019.
A escolha estaria relacionada à desconfiança do senador em relação à atuação da Polícia Federal durante o período eleitoral. Flávio considera que a instituição sofre influência do governo do presidente Lula e teme possíveis vazamentos de informações estratégicas, incluindo agendas, conversas privadas e detalhes relacionados à campanha.
Pré-campanha defende segurança da Polícia do Senado
Em manifestação sobre o assunto, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro destacou a capacidade operacional da Polícia do Senado para realizar a proteção de autoridades.
Segundo a equipe do senador, a instituição dispõe de recursos de inteligência, sistemas de monitoramento, veículos blindados, equipamentos modernos e armamentos adequados para operações de segurança.
A pré-campanha sustenta ainda que a proteção de autoridades está entre as principais atribuições da Polícia Legislativa, considerando seus agentes preparados e especializados para esse tipo de atividade.
Apesar da justificativa, a decisão encontra resistência entre pessoas com trânsito no núcleo bolsonarista.
Aliados questionam desconfiança de Flávio em relação à PF
Interlocutores próximos à família Bolsonaro avaliam que a percepção de Flávio sobre a Polícia Federal pode não refletir a diversidade interna da corporação.
Um aliado do senador, que preferiu não ser identificado, contestou a ideia de que a PF estaria integralmente alinhada ao governo Lula. Segundo ele, uma parcela significativa dos integrantes da instituição teria identificação com o bolsonarismo.
Esse interlocutor também relembrou um episódio ocorrido durante o governo de Jair Bolsonaro, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes abriu investigação relacionada às acusações feitas por Sergio Moro (PL-PR).
As alegações envolviam uma suposta tentativa do então presidente Jair Bolsonaro de interferir politicamente na Polícia Federal. Conforme as informações apresentadas, o caso ainda aguarda um desfecho.
Temor envolve possível vazamento de informações da campanha
Entre as principais preocupações atribuídas a Flávio Bolsonaro está a possibilidade de informações reservadas circularem fora do ambiente da campanha caso sua segurança fique sob responsabilidade da Polícia Federal.
O receio envolveria detalhes sobre deslocamentos, compromissos, estratégias eleitorais e conversas privadas mantidas pelo senador ao longo da disputa presidencial.
Para aliados mais pragmáticos, entretanto, a segurança física do candidato deveria receber atenção especial diante dos riscos associados a uma eleição presidencial marcada por forte polarização política.
Pesquisas de intenção de voto, segundo as informações apresentadas, indicam que a disputa deverá novamente ocorrer em um ambiente dividido entre eleitores ligados ao lulismo e ao bolsonarismo.
Atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 é lembrado nos bastidores
O atentado sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018 também passou a ser citado nas discussões sobre a decisão de Flávio.
Naquele ano, Bolsonaro foi atingido por uma facada durante um ato eleitoral em Juiz de Fora, Minas Gerais, mesmo estando acompanhado por agentes da Polícia Federal.
Apesar desse episódio, interlocutores argumentam que a PF possui experiência específica na identificação de ameaças e na proteção de autoridades durante grandes eventos e situações envolvendo multidões.
Esse tipo de capacidade seria especialmente importante durante campanhas eleitorais, quando candidatos participam de comícios, caminhadas, encontros públicos e contatos diretos com eleitores.
Um aliado ouvido pela equipe responsável pelas informações demonstrou preocupação com as possíveis consequências da escolha. Na avaliação dele, caso algum incidente grave ocorra, adversários políticos poderiam argumentar que o próprio senador decidiu não utilizar a proteção disponibilizada pela Polícia Federal.
Associação de delegados alerta para riscos
O presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, também manifestou preocupação com a decisão.
Segundo Paiva, dispensar a proteção da PF representa um risco, considerando que a instituição possui estrutura especializada e experiência acumulada na segurança de autoridades.
Ele destacou ainda que os profissionais da corporação recebem capacitação técnica permanente para atuar nesse tipo de missão.
Polícia Federal mantém protocolos de segurança sob sigilo
Questionada sobre a decisão de Flávio Bolsonaro, a Polícia Federal informou que não comenta detalhes relacionados aos procedimentos adotados para a proteção de autoridades.
A corporação justificou que informações sobre estratégias operacionais precisam permanecer sob sigilo para evitar que a divulgação comprometa a segurança das pessoas protegidas.
Entre os dados considerados sensíveis estão o número de agentes envolvidos, orçamento, armamentos, equipamentos, materiais utilizados e protocolos operacionais.
Segundo a PF, tornar públicas essas informações poderia reduzir a eficácia das operações e colocar em risco tanto as autoridades quanto os profissionais responsáveis pela segurança.
Decisão sobre escolta amplia debate nos bastidores políticos
A opção de Flávio Bolsonaro pela Polícia Legislativa coloca em discussão dois aspectos considerados centrais por seu entorno: a confiança nas instituições responsáveis pela segurança e a necessidade de proteção especializada durante uma campanha presidencial.
Enquanto a pré-campanha demonstra confiança na capacidade da Polícia do Senado, aliados defendem que a experiência operacional da Polícia Federal em grandes eventos e na proteção de autoridades deveria ser considerada diante dos riscos inerentes à exposição de um candidato à Presidência.
Com a expectativa de uma eleição novamente marcada pela polarização política, a segurança de Flávio Bolsonaro tende a permanecer como tema de atenção entre seus aliados ao longo da disputa eleitoral.
Confira abaixo a íntegra da nota da pré-campanha de Flávio Bolsonaro:
A segurança do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, é feita exclusivamente pela Polícia do Senado Federal. A instituição realiza este trabalho há oito anos e, assim, permanecerá ao longo de 2026. A essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades. A equipe conta com formação específica de inteligência, além de inúmeros cursos e treinamentos no Brasil e no exterior, que a capacita para a função de forma destacada.