O ambiente dentro da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou mais tenso após o confronto verbal envolvendo o chefe do Executivo e a lobista Roberta Luchsinger durante uma sabatina realizada pela TV Globo na semana passada.
Lula classificou Roberta como “pilantra” e afirmou não conhecê-la. A declaração, porém, teria provocado uma reação ainda mais forte por parte da lobista, segundo pessoas próximas a ela. O principal motivo da insatisfação, conforme esses relatos, teria sido a afirmação de que os dois nunca tiveram proximidade.
Declarações de Lula geram reação
Durante a sabatina, Lula afirmou que jamais havia encontrado ou conversado com Roberta e negou qualquer relação próxima com ela.
A versão apresentada pelo presidente, contudo, foi rapidamente confrontada por imagens que começaram a circular nas redes sociais. Fotografias mostram Lula ao lado da lobista em diferentes ocasiões. Em uma delas, Roberta aparece beijando a mão do presidente; em outra, ela está abraçada a Lula e à primeira-dama Janja.
Para pessoas que acompanham o episódio de perto, a declaração presidencial teria causado maior ressentimento do que a própria ofensa.
Uma fonte citada no relato avalia que a tentativa de apresentar Roberta como alguém que apenas circulava pelos bastidores de Brasília não corresponderia ao relacionamento que ela mantinha com pessoas ligadas ao poder.
Mensagens apreendidas pela Polícia Federal entram no caso
Outro elemento que aumenta a pressão sobre o episódio são mensagens atribuídas a Roberta e obtidas pela Polícia Federal a partir de um celular apreendido em dezembro de 2025.
Em uma das mensagens, ela teria escrito: “eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”. Segundo as investigações mencionadas no material, a declaração indicaria uma possível autorização para que Roberta atuasse em nome de Lulinha.
As suspeitas apresentadas pela Polícia Federal aparecem em representações que serviram de base para inquéritos instaurados no Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Suspeita de atuação junto ao governo
De acordo com as investigações descritas no texto, Roberta teria mantido uma sociedade informal com Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente da República.
A hipótese investigada é de que o grupo atuasse em defesa dos interesses de empresas e governos junto ao Palácio do Planalto, utilizando contatos e acesso a integrantes do governo para viabilizar reuniões e contratos.
Entre os negócios mencionados estão um contrato relacionado a canabidiol com a empresa World Cannabis e outro envolvendo a 3Sytructre.
O material também aponta que, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Roberta teria trabalhado ao lado de Lulinha na tentativa de viabilizar encontros entre o governador do Maranhão, Carlos Brandão, e o presidente Lula no Palácio do Planalto.
Pressão sobre a campanha petista
O episódio passou a ser acompanhado com preocupação por aliados de Lula. Segundo informações atribuídas à colunista Bela Megale, pessoas próximas ao presidente estariam tentando evitar que Roberta responda publicamente aos ataques, sobretudo por meio de entrevistas.
A preocupação aumentaria diante do conjunto de informações envolvendo a lobista e sua suposta proximidade com pessoas do círculo político ligado ao presidente.
Até o momento, conforme o relato apresentado, Roberta não teria decidido tornar públicas eventuais informações que possui. Mesmo assim, a possibilidade de uma reação já estaria provocando apreensão entre integrantes do lulismo.
A crise envolvendo Lula e Roberta Luchsinger ganhou dimensão política justamente pela combinação entre as declarações do presidente, as fotografias que mostram os dois juntos e as informações presentes nas investigações da Polícia Federal.
Enquanto aliados do presidente tentam evitar uma escalada pública do conflito, permanece a expectativa sobre qual será o próximo movimento da lobista. Caso decida falar publicamente, Roberta poderá ampliar a pressão sobre a campanha petista em um momento considerado sensível para o grupo político de Lula.
Por enquanto, a possibilidade de novas revelações já é suficiente para aumentar a tensão nos bastidores.