O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter preso o empresário Raphael Sousa Oliveira, responsável pela página Choquei. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (24), ao negar o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Ele é um dos alvos da Operação Narcofluxo, conduzida pela Polícia Federal (PF), que investiga crimes financeiros ligados ao tráfico internacional de drogas.
A ofensiva policial resultou na prisão de dezenas de investigados. No dia anterior, a Justiça Federal transformou em preventivas as detenções de 36 pessoas envolvidas no caso, atendendo a um pedido da PF com apoio do Ministério Público Federal. Entre os investigados estão artistas e influenciadores digitais, como MC Ryan SP e MC Poze do Rodo. Outros três permanecem em prisão domiciliar, cumprindo medidas cautelares.
O juiz federal Roberto Lemos dos Santos, responsável pela decisão, destacou que há indícios robustos de participação do grupo em movimentações ilegais que ultrapassam R$ 1,6 bilhão. Segundo as investigações, o esquema envolveria lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organização criminosa e uso de criptoativos para ocultar valores.
De acordo com o magistrado, a manutenção das prisões é necessária para preservar a ordem pública e econômica, além de impedir a continuidade das atividades ilícitas. Ele também apontou o risco de interferência nas investigações, especialmente com possível manipulação de provas digitais e movimentação de recursos.
A defesa dos investigados afirmou que esperava a liberação dos presos, especialmente após decisões anteriores que apontaram irregularidades em detenções temporárias. O STJ havia identificado ilegalidade no prazo de algumas prisões, inicialmente fixadas em 30 dias quando o pedido previa apenas cinco. Ainda assim, a nova solicitação da PF levou à decretação das prisões preventivas, frustrando a expectativa de soltura.
Segundo a Polícia Federal, MC Ryan SP é apontado como figura central do esquema, sendo considerado líder e principal beneficiário das atividades. As apurações indicam que ele teria utilizado empresas do setor de entretenimento para misturar receitas legais com valores provenientes de apostas ilegais e rifas digitais. O artista também teria transferido bens e recursos para terceiros, além de adquirir patrimônio de alto valor como forma de ocultar a origem do dinheiro.
Ao todo, foram cumpridos cerca de 90 mandados judiciais em diversas regiões do país, incluindo o Distrito Federal e estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás. MC Poze do Rodo foi localizado em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro, enquanto MC Ryan SP foi preso no litoral paulista.
A decisão do STJ reforça o entendimento de que, diante da gravidade dos crimes investigados e do volume financeiro envolvido, a prisão preventiva é necessária para garantir o avanço das investigações. A Operação Narcofluxo segue em andamento e permanece sob sigilo, com foco no desmantelamento de um esquema de grande escala que envolve tráfico, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras complexas.