O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello afirmou que se arrepende de ter apoiado a indicação de Alexandre de Moraes para ocupar uma cadeira na Suprema Corte. A declaração foi dada em entrevista à CNN após a divulgação de mensagens atribuídas a Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo de acusações relacionadas a diversos crimes.
Ao relembrar o momento em que Moraes foi indicado para o STF, Marco Aurélio afirmou que, diante dos fatos que vieram posteriormente a público, sua avaliação sobre o então candidato ao cargo mudou.
Marco Aurélio relembra indicação de Moraes
Alexandre de Moraes chegou ao Supremo em março de 2017, ocupando a vaga deixada pelo ministro Teori Zavascki, morto meses antes em um acidente aéreo.
Marco Aurélio contou que, após a morte de Teori, considerava Moraes um nome preparado para assumir a cadeira na Suprema Corte.
Na ocasião, segundo o ministro aposentado, ele chegou a manifestar ao então presidente Michel Temer que Alexandre de Moraes reunia experiência para exercer a função.
Moraes era professor universitário, integrante do Ministério Público e havia ocupado diferentes cargos públicos, entre eles os de secretário de Segurança do prefeito Gilberto Kassab, secretário de Governo do governador Geraldo Alckmin e ministro da Justiça.
Ao avaliar hoje sua decisão de apoiar a indicação, Marco Aurélio foi enfático:
“Os fatos que vieram à balha são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavascki, […] eu disse que o presidente Temer tinha um homem talhado para o cargo: professor universitário, membro do Ministério Público, secretário de segurança do prefeito Kassab, secretário de governo do governador Geraldo Alckmin, ministro da Justiça. […] Se arrependimento matasse, eu não estaria aqui hoje conversando com vocês.”
Crítica à condução de investigação
Durante a entrevista, Marco Aurélio Mello também comentou a atuação do ministro André Mendonça diante de um relatório produzido pela Polícia Federal.
Segundo o magistrado aposentado, houve uma inversão de valores na forma como determinadas situações vêm sendo tratadas.
“Eu penso que está havendo uma inversão de valores. O ministro André Mendonça se defrontou com um relatório da PF (Polícia Federal) e procedeu como deveria, encaminhando à PGR (Procuradoria-Geral da República)”, afirmou.
A declaração ocorre em meio à repercussão das mensagens mencionadas na entrevista e às discussões sobre a atuação de integrantes do Supremo Tribunal Federal.
A chegada de Alexandre de Moraes ao STF
A indicação de Alexandre de Moraes para o Supremo ocorreu após a morte de Teori Zavascki, em janeiro de 2017.
O ministro morreu após a queda do bimotor em que estava, no mar, na região de Paraty, na Costa Verde do Rio de Janeiro.
Naquele dia, as condições meteorológicas eram adversas, com baixa visibilidade e chuva intensa.
Dois meses depois, em março de 2017, Alexandre de Moraes assumiu oficialmente a cadeira que havia pertencido a Teori Zavascki.
Declaração reacende debate sobre apoio à indicação
A manifestação de Marco Aurélio Mello coloca novamente em discussão as circunstâncias que envolveram a escolha de Alexandre de Moraes para o STF.
O próprio ministro aposentado, que inicialmente considerava Moraes preparado para o cargo, afirmou agora que os acontecimentos posteriores fizeram com que se arrependesse do apoio dado à indicação.
A frase “se arrependimento matasse, eu não estaria aqui hoje” resume a mudança de avaliação de Marco Aurélio sobre sua participação naquele processo e ganha repercussão justamente no momento em que novas informações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes estão sendo debatidas publicamente.