A empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeitas envolvendo crimes como corrupção e tráfico de influência, possui um histórico de disputas judiciais relacionadas a dívidas e pagamentos não realizados. Segundo levantamento apresentado pelo programa Fantástico, da TV Globo, os valores envolvidos nos casos variam de pouco mais de R$ 6 mil a R$ 8 milhões.
O levantamento foi exibido na edição deste domingo (30) e reúne processos envolvendo diferentes tipos de despesas, desde serviços prestados em uma residência até aluguel de imóvel, mensalidades escolares, compromissos de campanha eleitoral e dívidas trabalhistas.
Dívidas envolvem diferentes áreas
Um dos episódios remonta a 2011, quando Roberta contratou o tapeceiro Nilton Cezar Pires durante uma reforma em uma de suas residências. O serviço foi contratado por R$ 61 mil, dos quais R$ 25 mil teriam sido pagos inicialmente. O restante não teria sido quitado.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que condenou Roberta. Apesar de acordos posteriores, os pagamentos não teriam sido cumpridos. Como alternativa para encerrar a pendência, ela entregou uma coleção de gravuras atribuídas ao artista Candido Portinari e avaliadas, segundo ela, em R$ 70 mil. O processo acabou encerrado, mas posteriormente foi constatado que as obras não eram originais.
Outro caso de grande impacto financeiro ocorreu em 2016. Roberta e uma sócia apresentaram a Lauro Vallejo um projeto cinematográfico relacionado ao designer de carros de luxo Horacio Pagani. O aposentado entrou como avalista de um empréstimo destinado à produção e ofereceu uma fazenda avaliada em R$ 8 milhões como garantia.
Com o não pagamento das parcelas do empréstimo, Vallejo acabou perdendo o imóvel.
Mensalidade escolar e compra de roupas também aparecem nos processos
Em 2017, Roberta teria deixado de pagar durante todo o ano as mensalidades da escola Global Me School, em São Paulo, onde sua filha estudava. A dívida chegou a R$ 91 mil e, segundo as informações apresentadas, não foi quitada. A direção da instituição não se pronunciou sobre o caso.
No mesmo ano, uma compra realizada na loja Cris Barros também resultou em uma pendência judicial. O valor original era de R$ 6.124, formalizado por meio de duplicata. O pagamento não teria sido realizado e, em 2023, o débito atualizado alcançava aproximadamente R$ 21 mil.
Para solucionar essa dívida, Roberta teria oferecido um quadro avaliado em R$ 100 mil. Entretanto, a obra teria desaparecido antes de ser levada a leilão.
Apartamento em Higienópolis acumulou dívida de R$ 500 mil
Entre 2019 e 2023, Roberta viveu em um apartamento localizado na região de Higienópolis, área nobre da capital paulista. Conforme os processos citados na reportagem, durante esse período não foram pagos aluguel, condomínio e IPTU.
A dívida acumulada chegou a R$ 500 mil. Os proprietários eram um casal de idosos, que entrou com uma ação de despejo em 2020. Mesmo após acordos que não teriam sido cumpridos, Roberta permaneceu no imóvel até 2023.
O débito acabou sendo pago em maio de 2024. Conforme as investigações mencionadas na reportagem, nesse período ela já exercia atividades como lobista.
Dívida relacionada à campanha eleitoral
Em 2022, Roberta disputou uma vaga de deputada estadual por São Paulo. Para sua pré-campanha, contratou uma agência de publicidade pelo valor de R$ 42 mil.
Do total combinado, apenas R$ 4.200 teriam sido pagos, correspondentes a 10% do valor contratado.
Além dos casos envolvendo empresas e prestadores de serviços, também foram registrados processos trabalhistas. Roberta teria acumulado aproximadamente R$ 50 mil em débitos após a demissão de uma babá e de uma empregada doméstica que trabalhavam em sua residência.
Segundo as informações apresentadas, os dois processos prescreveram antes que as profissionais recebessem os valores devidos.
Obras de arte foram usadas em tentativas de acordo
De acordo com os processos reunidos pelo programa, em algumas situações Roberta teria tentado solucionar pendências financeiras oferecendo obras de arte.
Um dos casos envolve as gravuras atribuídas a Candido Portinari, utilizadas para encerrar a disputa com o tapeceiro. Embora o processo tenha sido finalizado, posteriormente as obras foram consideradas não originais.
Em outro episódio, um quadro avaliado em R$ 100 mil teria sido oferecido para quitar uma dívida de pouco mais de R$ 6 mil, mas a obra teria desaparecido antes do leilão.
Roberta não concedeu entrevista ao programa
A equipe do Fantástico procurou Roberta Luchsinger para que ela apresentasse esclarecimentos sobre os processos e as dívidas mencionadas.
A empresária não aceitou gravar entrevista. Segundo a reportagem, ela encaminhou apenas uma relação de ações judiciais que já haviam sido arquivadas.
Os casos apresentados revelam um histórico de disputas financeiras envolvendo Roberta Luchsinger ao longo de diferentes períodos, com valores que vão de milhares a milhões de reais. Entre os episódios estão dívidas com prestadores de serviços, instituições de ensino, proprietários de imóveis, empresas, profissionais contratados e compromissos relacionados à campanha eleitoral.
As informações fazem parte do levantamento apresentado pelo Fantástico e estão relacionadas aos processos mencionados na reportagem.