A proposta de delação premiada apresentada por Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, começou a ser avaliada por investigadores da Polícia Federal e integrantes da Procuradoria-Geral da República. O objetivo inicial é verificar se as informações fornecidas pelo banqueiro trazem fatos inéditos e relevantes para o avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
Investigadores vão confrontar informações com provas já obtidas
A primeira etapa da análise consiste em comparar os relatos apresentados por Vorcaro com o material já reunido pela Polícia Federal ao longo da investigação. Entre os elementos que serão utilizados nesse cruzamento estão dados extraídos do celular do empresário e outras provas coletadas em diferentes frentes da operação.
A defesa do banqueiro entregou um documento contendo diversos tópicos que poderão fazer parte do acordo de colaboração premiada. Esses tópicos, conhecidos como “anexos”, apresentam resumos dos fatos narrados por Vorcaro e indicam possíveis meios de comprovação. O conteúdo permanece sob sigilo.
Segundo os investigadores, ainda não há prazo definido para concluir essa avaliação preliminar, mas a intenção é tratar o caso com prioridade para evitar demora excessiva no andamento do processo.
Celular de Vorcaro impulsionou novas fases da operação
As informações encontradas no aparelho celular de Daniel Vorcaro foram fundamentais para o avanço recente da Operação Compliance Zero. A partir desse material, a Polícia Federal realizou duas novas etapas da investigação, que resultaram na segunda prisão do banqueiro e também na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB).
Os diálogos analisados pela PF apontariam que Vorcaro utilizava um grupo armado para intimidar adversários, além de possuir mecanismos para acessar sistemas ligados a órgãos de investigação. As mensagens também indicariam um acordo envolvendo o pagamento de R$ 146 milhões em imóveis destinados a Paulo Henrique Costa.
Possível acordo ainda está em fase inicial
Neste momento, a proposta de colaboração premiada ainda não inclui negociações sobre redução de pena, valores de ressarcimento ou apresentação formal de provas complementares. A prioridade das autoridades é confirmar se os relatos realmente acrescentam elementos novos às investigações.
Após essa análise, Polícia Federal e PGR decidirão se têm interesse em avançar com o acordo ou se a proposta será rejeitada.
Caso a colaboração seja considerada relevante, começará então a fase de negociações entre as partes. Nesse estágio, serão discutidas cláusulas do acordo, incluindo possíveis benefícios ao investigado e obrigações relacionadas à entrega de documentos e provas de corroboração.
STF terá palavra final sobre eventual acordo
Se houver consenso entre defesa e investigadores, Daniel Vorcaro deverá prestar depoimentos detalhados sobre cada um dos temas apresentados nos anexos da delação. Depois disso, o acordo poderá ser formalizado e encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria do caso.
A colaboração premiada só terá validade jurídica após homologação do ministro no STF.