Uma auditoria realizada pelo Banco Regional de Brasília (BRB) sobre operações envolvendo o Banco Master identificou pagamentos milionários destinados a escritórios de advocacia. Entre os valores analisados pela Polícia Federal está um repasse de R$ 33 milhões para o escritório Alves Correa, ligado à advogada Dalide Correa.
Segundo diálogos interceptados pela PF entre dirigentes do Banco Master, a banca era descrita internamente como um possível “canal direto com o STF”. Apesar disso, os investigadores não encontraram, nas conversas analisadas, referências a ministros específicos do Supremo Tribunal Federal.
Auditoria aponta forte aumento nas despesas jurídicas
Os dados examinados pela PF indicam que os gastos do Banco Master com serviços jurídicos cresceram de maneira expressiva entre 2023 e 2024.
Conforme relatório elaborado pelo BRB, as despesas com advogados chegaram a R$ 215 milhões no ano fiscal de 2024, contra R$ 76 milhões em 2023.
Dentro desse montante, os auditores destacaram dois pagamentos: R$ 40 milhões para o escritório Barci de Moraes, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e R$ 33 milhões para o escritório Alves Correa, relacionado a Dalide Correa.
O documento afirma que a dimensão dessas despesas precisaria ser analisada em comparação com o padrão habitual de gastos da instituição e seus efeitos sobre o modelo financeiro do banco.
Relação de Dalide Correa com o IDP
Dalide Correa também possui uma relação profissional anterior com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Ensino e Pesquisa (IDP), instituição fundada pelo ministro Gilmar Mendes.
A aproximação entre Dalide e Gilmar Mendes remonta ao período em que ele ocupava o cargo de advogado-geral da União, entre 2000 e 2002. Naquele período, ela trabalhava na área jurídica da Caixa Econômica Federal.
Dalide posteriormente ocupou uma posição de chefia no IDP, função que deixou em 2017.
Advogada nega ter trabalhado para o Banco Master
Em manifestação enviada sobre o caso, Dalide Correa afirmou que não prestou serviços ao Banco Master.
A assessoria de Gilmar Mendes optou por não comentar o episódio.
Já a assessoria jurídica responsável pela manifestação afirmou que o escritório não trabalhou para o Banco Master no Supremo Tribunal Federal e negou ter procurado ministros da Corte para tratar de questões relacionadas ao banco.
Segundo a explicação apresentada, a atuação da banca esteve vinculada a processos que originalmente envolviam empresas que posteriormente venderam créditos ao Banco Master. Ainda conforme a nota, esses processos foram conduzidos exclusivamente em primeira e segunda instâncias.
O que está sob análise
A identificação dos pagamentos faz parte do conjunto de informações levantadas pela Polícia Federal a partir da auditoria do BRB e de diálogos interceptados envolvendo dirigentes do Banco Master.
Até o momento, as informações fornecidas apontam para a existência dos pagamentos e para a forma como os executivos descreviam internamente a atuação do escritório, mas não apresentam, nas conversas mencionadas, nomes de ministros do STF relacionados aos repasses.
O caso segue sendo analisado dentro das apurações envolvendo as operações financeiras e jurídicas do Banco Master.