Um relatório da Polícia Federal (PF) aponta que a lobista Roberta Luchsinger aparentava ter autorização para atuar em nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações fazem parte de um novo inquérito instaurado para investigar suspeitas relacionadas à atuação de pessoas próximas a negócios envolvendo órgãos do governo federal.
A defesa de Roberta contestou a divulgação dos dados e solicitou ao Ministério da Justiça uma apuração sobre o vazamento. Os advogados de Lulinha, por sua vez, afirmaram que não comentariam mensagens cuja autenticidade ainda não tenha sido comprovada.
Conversas colocam Roberta no centro da investigação
De acordo com a PF, Roberta se apresentou como representante de Lulinha durante uma conversa com Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha. Gaspar é investigado no caso que apura suspeitas de desvios envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A investigação policial aponta que Gaspar teria mantido atuação conjunta com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com Roberta na busca por oportunidades de negócios junto ao governo federal.
As conversas analisadas pela Polícia Federal resultaram em pedidos para abertura de três investigações no Supremo Tribunal Federal (STF), todas relacionadas a suspeitas de tráfico de influência.
Três frentes de investigação no STF
Os procedimentos instaurados no Supremo abrangem diferentes áreas da administração federal. Um deles trata de possíveis negócios relacionados ao Ministério da Saúde. Outro concentra-se em suspeitas envolvendo a Dataprev. O terceiro investiga uma possível atuação em outra área do governo.
Os pedidos de abertura dos inquéritos foram apresentados pela PF no final de julho e têm como base elementos obtidos durante a investigação sobre possíveis irregularidades no INSS.
Entre os pontos que os investigadores pretendem esclarecer está a possibilidade de Lulinha ter mantido participação não declarada em negócios ligados a Antônio Camilo Antunes. A PF também busca verificar se Roberta teria custeado despesas de viagens realizadas pelo filho do presidente.
Despesas e relação com ex-assessor presidencial
As apurações também identificaram conversas envolvendo pagamentos de boletos e outras despesas atribuídas a Marco Aurélio Santana Ribeiro, que ocupou o cargo de chefe de gabinete da Presidência.
Ribeiro declarou aos investigadores que havia recebido um empréstimo e posteriormente quitado o valor de R$ 249 mil. A PF também encontrou mensagens entre ele e Roberta relacionadas à aquisição de joias destinadas à mulher do ex-assessor.
Outro episódio analisado pelos investigadores envolve uma proposta comercial encaminhada por Roberta. Ela enviou a Ribeiro uma minuta de contrato para a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
Segundo a interpretação da Polícia Federal, o diálogo sugere uma tentativa de conseguir o auxílio do então assessor presidencial para viabilizar o negócio. Apesar disso, as mensagens identificadas até o momento não demonstram que o documento tenha sido levado por Ribeiro a outra instância do governo.
O que a investigação busca esclarecer
As novas apurações ainda estão em andamento e deverão verificar a autenticidade, o contexto e o significado das mensagens identificadas pelos investigadores.
O foco da PF inclui esclarecer a eventual participação de Lulinha em negócios atribuídos a Antônio Camilo Antunes, a possível atuação de Roberta Luchsinger em seu nome e eventuais relações com agentes ligados ao governo federal.
Até o momento, as informações apresentadas no relatório representam elementos de investigação e não uma conclusão definitiva sobre as suspeitas analisadas.