Integrantes do PT e da equipe de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva encomendaram pesquisas internas para avaliar possíveis reflexos de denúncias recentes envolvendo duas pessoas próximas ao presidente: seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana, conhecido como Marcola, e seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
De acordo com informações obtidas pela coluna, os levantamentos de acompanhamento, conhecidos como trackings, apontam que, até o momento, os episódios não provocaram mudanças relevantes na percepção pública sobre Lula.
Denúncias envolvendo pessoas próximas a Lula
Apesar da avaliação de que o impacto geral ainda é limitado, os dados preliminares indicariam que o caso relacionado a Marcola pode representar uma preocupação maior para o presidente.
A razão estaria na relação de proximidade entre os dois. Marco Aurélio Santana era considerado uma pessoa de confiança de Lula, tinha acesso ao ambiente presidencial e também desempenhava a função de intermediar ligações destinadas ao presidente.
Já em relação a Lulinha, integrantes da campanha avaliam que o nome do empresário não representa uma novidade no cenário político. O filho de Lula já esteve no centro de episódios e discussões em eleições anteriores, e, segundo essa avaliação interna, as situações envolvendo seu nome não avançaram de maneira a produzir consequências políticas duradouras.
Por esse motivo, a campanha considera que as novas acusações envolvendo Lulinha, isoladamente, não teriam provocado até agora uma alteração significativa na imagem do presidente.
Relação com lobista é alvo de investigação
Lulinha e Marcola estão entre os nomes investigados pela Polícia Federal por supostas relações com a lobista Roberta Luchsinger.
Segundo informações anteriormente divulgadas pelo Metrópoles, Luchsinger teria comprado joias de diamantes e entregado presentes ao ex-chefe de gabinete de Lula. Ainda de acordo com a publicação, Marcola também teria recebido dela um empréstimo de R$ 249 mil.
O desenvolvimento das investigações e a possibilidade de surgirem novas informações são apontados como fatores que podem alterar o cenário identificado pelas pesquisas internas.
Orientação para Lula manter posicionamento
Diante do episódio, Lula vem sendo orientado a preservar a postura adotada publicamente até agora. O presidente tem afirmado que as investigações conduzidas pela Polícia Federal devem seguir independentemente de quem possa ser atingido.
Ao mesmo tempo, Lula não tem colocado o assunto no centro de seus pronunciamentos ou adotado uma postura de exposição ativa sobre as denúncias.
As pesquisas internas realizadas por integrantes do PT e da campanha de Lula apontam, até o momento, ausência de impacto expressivo das denúncias sobre a imagem do presidente. Entretanto, o caso envolvendo seu ex-chefe de gabinete é considerado potencialmente mais sensível devido à relação de proximidade entre os dois.
A eventual divulgação de novos fatos pela investigação poderá mudar essa percepção e aumentar a repercussão política do episódio.