A Polícia Civil deflagrou, nesta quinta-feira, a Operação Fariseus para cumprir medidas judiciais contra integrantes de uma família de missionários investigada por, supostamente, utilizar um projeto religioso para beneficiar o Comando Vermelho. A ação resultou na prisão preventiva da missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, enquanto seus pais, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, foram alvo de mandados de busca e apreensão.
De acordo com a investigação, os suspeitos teriam aproveitado o acesso às unidades prisionais para manter contato com detentos e facilitar a comunicação entre integrantes da organização criminosa. As apurações também apontam possível prestação de apoio logístico e financeiro à facção.
Investigação aponta troca de mensagens e movimentações financeiras
As medidas autorizadas pela Justiça incluem a quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados, além da suspensão das visitas religiosas realizadas por eles nos presídios.
O caso começou após uma denúncia anônima indicar que o grupo utilizava a atuação religiosa para ingressar na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. A suspeita inicial envolvia a possível entrega de celulares e carregadores a presos em áreas de segurança máxima. Segundo a Polícia Civil, essa informação específica ainda não foi confirmada, mas continua sendo objeto de investigação.
Com a análise do material obtido judicialmente, os investigadores identificaram comunicações frequentes entre os suspeitos e lideranças da facção, além de movimentações financeiras consideradas incompatíveis. Conforme a polícia, recursos recebidos em contas de terceiros teriam sido fragmentados para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, sendo posteriormente utilizados para despesas pessoais, viagens, procedimentos estéticos e aquisição de veículos.
Viagens e registros reforçam apurações
Ainda segundo a Polícia Civil, a investigação identificou diversas viagens da família para comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro, onde teria ocorrido visita a um criminoso foragido.
Durante as diligências, os investigadores também encontraram fotos e vídeos que, conforme a apuração, mostram integrantes da família ao lado de armamentos de alto poder, como fuzis e pistolas. O material inclui ainda imagens de crianças portando armas personalizadas e registros de videochamadas com pessoas apontadas como lideranças da organização criminosa.
Defesa ainda não se pronunciou
A defesa de Rhavenna Barcelos informou que não irá comentar o caso neste momento. Até a publicação desta reportagem, não havia sido possível obter manifestação dos representantes dos pastores Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida.
As investigações seguem em andamento, e os fatos ainda serão analisados pelas autoridades competentes. Os suspeitos são investigados por suposta participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro, tortura e corrupção de menor.