A quinta fase da Operação Unha e Carne, realizada pela Polícia Federal nesta quinta-feira, resultou no cumprimento de mandados de prisão contra o pastor Márcio José Matos de Souza, conhecido como Márcio Poncio, e o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. As investigações apuram um suposto esquema de repasses financeiros envolvendo o contraventor e políticos do estado do Rio de Janeiro, além da atuação de uma organização criminosa ligada ao comércio ilegal de cigarros.
Segundo a Polícia Federal, um dos pontos que unem os dois investigados é o empresário Charles Guilherme Costa de Vasconcellos. Ele é apontado como operador do grupo liderado por Adilsinho e, ao mesmo tempo, figura em processos judiciais como suposto “laranja” de Márcio Poncio em empresas relacionadas ao pastor.
Charles Vasconcellos é citado em investigações distintas
Charles Guilherme Costa de Vasconcellos já havia sido preso em março de 2025 durante a Operação Libertatis 2, que teve como alvo integrantes da organização atribuída a Adilsinho. De acordo com a Polícia Federal, ele é sócio da Comercial 8, empresa apontada como responsável pela distribuição de cigarros ilegais comercializados pelo grupo.
As investigações indicam que a empresa negociava produtos por valores inferiores ao mínimo permitido, emitia notas fiscais com o objetivo de dificultar a fiscalização tributária e policial e recebia depósitos em dinheiro vivo, considerados pelos investigadores como possivelmente provenientes da venda de cigarros clandestinos.
Relação empresarial com Márcio Poncio
Antes mesmo de ser associado ao esquema investigado envolvendo Adilsinho, Charles já era mencionado em ações judiciais relacionadas ao grupo empresarial de Márcio Poncio.
Em um processo movido pela União por débitos fiscais, a Justiça apontou o empresário como pessoa interposta em empresas ligadas ao pastor. Em 2016, Charles tornou-se sócio da Planalto Indústria e Comércio de Cigarros, adquirindo quotas da empresa ao lado de sua mãe, Juracy Costa de Vasconcellos.
Conforme os autos, no ano anterior Charles havia informado à Receita Federal que não possuía bens, enquanto sua mãe recebia benefício como pensionista do INSS. Para a Justiça, a situação financeira dos dois levantava dúvidas sobre a capacidade de aquisição das participações societárias, reforçando a suspeita de utilização de terceiros para a prática de fraudes empresariais.
Outro elemento citado no processo surgiu em 2018, quando Charles declarou ter herdado de sua mãe endereços ligados à Igreja Pentecostal Anabatista de Duque de Caxias, onde Márcio Poncio exercia o ministério pastoral.
Mudança societária e vínculo com a família Poncio
Em maio de 2019, Charles deixou a sociedade da empresa ao transferir suas quotas para Simone Poncio da Silva, esposa de Márcio Poncio, e para Jonathan Couto de Souza, que na época era genro do pastor.
Além das movimentações empresariais, registros publicados nas redes sociais mostram Charles em diversos momentos ao lado de integrantes da família Poncio.
Prisão durante a Operação Unha e Carne
Márcio Poncio foi preso na manhã desta quinta-feira em um flat localizado no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ele é investigado pela Polícia Federal por suspeita de integrar a chamada Máfia do Cigarro.
O pastor também é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio, conhecido por ter integrado a dupla UM44K.
As investigações seguem em andamento para apurar a participação dos envolvidos e a possível atuação de empresas utilizadas para viabilizar o comércio ilegal de cigarros e outras práticas investigadas pelas autoridades.