As movimentações políticas para as eleições de 2026 já começam a ganhar força nos bastidores. O partido Novo tem intensificado negociações para viabilizar o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, como candidato a vice-presidente em uma possível chapa liderada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A estratégia envolve interesses eleitorais, alinhamento ideológico e a sobrevivência da legenda no cenário político nacional.
Nos últimos dias, lideranças importantes do Novo passaram a atuar diretamente na construção dessa aliança. Entre os nomes envolvidos estão o deputado federal Marcel van Hattem e o ex-procurador Deltan Dallagnol, que trabalham para estreitar a relação com o PL e consolidar a indicação de Zema.
Dentro do grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o governador mineiro é visto como uma escolha estratégica. A avaliação é de que ele possui perfil técnico, discurso alinhado ao liberalismo econômico e baixa rejeição, além de representar um reforço importante em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
Para o Novo, a possível aliança também atende a uma necessidade prática. O partido precisa atingir as exigências da cláusula de barreira em 2026 para manter acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda. Atualmente, a legenda conta com cinco deputados federais, número abaixo do necessário para garantir sua estrutura política futura.
Diante disso, dirigentes do Novo acreditam que uma parceria com o PL pode ampliar as chances de alcançar o desempenho exigido pela legislação. Em troca do apoio à chapa presidencial, a expectativa é que o PL fortaleça candidaturas do Novo à Câmara dos Deputados.
Essa aproximação entre os dois partidos já ocorre em disputas regionais. Em Santa Catarina, por exemplo, há composição conjunta em eleições estaduais. No Paraná, a articulação também avançou, incluindo negociações envolvendo o senador Sergio Moro, que pode disputar o governo estadual com apoio alinhado entre as siglas.
Outro ponto central nas conversas é o alinhamento programático. O Novo busca garantias de que um eventual plano de governo contemple princípios liberais na economia e pautas conservadoras nos costumes, mantendo a identidade do partido.
Do lado do PL, a estratégia segue a lógica de ampliar alianças para fortalecer uma candidatura competitiva. A avaliação interna é que a união com partidos menores, mas estruturados regionalmente, pode ser decisiva em uma eleição majoritária.
Nos bastidores, essa articulação já é vista como uma das principais apostas para consolidar uma frente de direita com potencial competitivo em 2026. A intenção do Novo de indicar Zema como vice foi confirmada publicamente por lideranças do partido.
Apesar do avanço das negociações, a definição da chapa ainda depende de fatores legais e prazos eleitorais. Um dos principais pontos é a necessidade de desincompatibilização: caso confirme a candidatura, Romeu Zema deverá deixar o governo de Minas Gerais até abril de 2026. Até lá, as articulações seguem em ritmo acelerado, com potencial de redesenhar o cenário político para a próxima disputa presidencial.