O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, enviou uma resposta oficial à carta encaminhada pelo pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), reforçando o interesse do governo norte-americano em manter abertas as conversas com o Brasil sobre temas comerciais e estratégicos.
Na mensagem, Rubio agradeceu a recente visita de Flávio a Washington e ressaltou que considera importante preservar a cooperação entre os dois países, baseada em princípios de respeito mútuo, valores comuns e na busca pela segurança e prosperidade do continente.
“Compartilho sua convicção de que a duradoura amizade entre os Estados Unidos e o Brasil deve permanecer ancorada em valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão unificada para a segurança e a prosperidade do Hemisfério Ocidental”, escreveu o secretário.
Tarifas comerciais e consulta pública
Entre os assuntos abordados está a discussão sobre as tarifas comerciais aplicadas ao Brasil. Rubio destacou que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) realizará uma audiência pública em 6 de julho para discutir as medidas comerciais em análise.
Segundo o secretário, esse é o mecanismo institucional criado para que governos, empresas e demais interessados apresentem argumentos e contribuições sobre o tema. De acordo com a carta, o governo brasileiro ainda não utilizou esse procedimento para expor sua posição.
PCC e Comando Vermelho entram no foco dos EUA
Outro ponto de destaque foi a recente decisão norte-americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, conforme a legislação dos Estados Unidos.
Rubio agradeceu o apoio manifestado por Flávio Bolsonaro à medida e afirmou que as duas facções representam uma ameaça à segurança da população em diversos países do continente. Segundo ele, o objetivo da iniciativa é enfraquecer as estruturas financeiras, o tráfico de drogas e o comércio ilegal de armas ligados às organizações criminosas, ampliando o combate ao crime organizado transnacional.
“Os Estados Unidos reconhecem que a violência e as sofisticadas redes criminosas dessas facções ameaçam a segurança de cidadãos honestos em todo o nosso hemisfério compartilhado”, explicou Rubio. “Ao atingir suas redes financeiras, de drogas e de armas, estamos tomando medidas decisivas para proteger tanto o povo brasileiro quanto o norte-americano do crime organizado transnacional.”
Investigação comercial aponta divergências
Na correspondência, o secretário também comentou a investigação comercial aberta pelos Estados Unidos para analisar práticas adotadas pelo Brasil que, na avaliação das autoridades norte-americanas, podem criar obstáculos ao comércio bilateral.
Rubio citou o posicionamento do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmando que ainda existem diferenças importantes entre os dois países sobre diversos temas.
Entre os assuntos mencionados estão comércio digital, sistemas de pagamento eletrônico, tarifas consideradas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e questões relacionadas ao desmatamento ilegal.
Cooperação após as eleições
Nos trechos finais da carta, Marco Rubio afirmou que os Estados Unidos pretendem manter uma relação de cooperação com o Brasil independentemente do resultado das eleições presidenciais previstas para outubro.
O secretário fez referência à proposta apresentada por Flávio Bolsonaro de disponibilizar uma equipe de transição para dialogar com Washington caso seja eleito presidente. Em resposta, Rubio declarou que os Estados Unidos estão preparados para trabalhar com os futuros líderes escolhidos pelos brasileiros em busca de uma relação comercial e de investimentos considerada ampla, equilibrada e benéfica para ambos os países.
“Observamos seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso venha a ser eleito”, ressaltou Rubio. “Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro para buscar uma estrutura ampla, justa e mutuamente benéfica de comércio e investimentos.”
Encerrando a mensagem, Rubio manifestou expectativa de fortalecer ainda mais a parceria estratégica entre Brasil e Estados Unidos, reafirmando o desejo de continuidade do diálogo entre as duas nações.