O governo federal empenhou aproximadamente R$ 65,2 milhões em emendas parlamentares destinadas à senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) em 2026. O montante corresponde a 96,31% do total previsto para a parlamentar neste ano e foi registrado após Soraya e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) levarem à Polícia Federal uma denúncia contra o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), envolvendo uma suspeita de estupro de vulnerável.
Os números foram identificados no Siga Brasil e obtidos pelo portal O Antagonista. Do total de R$ 74 milhões previstos em emendas para Soraya em 2026, cerca de R$ 52 milhões já haviam sido pagos.
Denúncia ocorreu durante CPMI do INSS
O pedido para que a Polícia Federal investigasse Alfredo Gaspar foi protocolado em 27 de março, enquanto ocorria a leitura do relatório final da CPMI do INSS.
Naquele momento, Gaspar exercia a função de relator da comissão e havia solicitado o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A denúncia apresentada por Soraya Thronicke e Lindbergh Farias passou a ser utilizada por integrantes da base governista como argumento para questionar a atuação e a credibilidade de Gaspar dentro da comissão.
No dia seguinte, 28 de março, parlamentares aliados ao governo conseguiram maioria na votação, levando à rejeição do relatório apresentado pelo deputado.
Trajetória política de Soraya Thronicke
Soraya Thronicke chegou ao Senado em 2018 com apoio de Jair Bolsonaro. Dois anos depois, porém, rompeu politicamente com o ex-presidente. Em 2022, lançou-se candidata à Presidência da República e, a partir de 2023, passou a integrar a base de apoio ao governo federal.
Mais recentemente, a senadora publicou uma fotografia ao lado de Lula nas redes sociais, em meio à movimentação relacionada à sua tentativa de permanecer no Senado.
Em julho, o PT chegou a oferecer a Soraya a primeira suplência na chapa de Vander Loubet para o Senado. A proposta, entretanto, foi recusada pela parlamentar, e a direção do PSB também se posicionou contra o convite.
Em uma publicação na rede social X, Soraya reafirmou que pretende disputar novamente uma cadeira no Senado.
Boletim levanta suspeita de armação contra Alfredo Gaspar
A controvérsia ganhou outro capítulo com um boletim de ocorrência registrado pela Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados. O documento aponta para a suspeita de que poderia ter existido uma articulação destinada a produzir uma falsa acusação de estupro contra Alfredo Gaspar.
Segundo o registro, Lindbergh Farias seria um dos envolvidos na suposta trama e aparece como um dos principais integrantes da base governista.
O caso teria vindo à tona em 14 de abril, depois que Marise Pena, assessora de Gaspar, informou ter recebido uma ligação de Luiz Antonio Lopes. De acordo com o relato, ele teria contado sobre um plano que envolveria uma jovem utilizando uma identidade falsa e recebendo dinheiro para manter uma versão de suposto abuso sexual.
Emendas e disputa política
A coincidência temporal entre o empenho das emendas destinadas a Soraya Thronicke e a apresentação da denúncia contra Alfredo Gaspar coloca os fatos no centro de uma disputa política que envolve a CPMI do INSS, integrantes da base do governo e parlamentares de oposição.
Os dados disponíveis mostram que o Executivo empenhou R$ 65,2 milhões dos R$ 74 milhões previstos para a senadora em 2026. Paralelamente, a denúncia contra Gaspar e as posteriores suspeitas sobre uma possível tentativa de forjar a acusação passaram a integrar o debate político em torno da comissão.
O episódio reúne emendas parlamentares, disputa política e acusações envolvendo integrantes do Congresso Nacional. Enquanto os registros oficiais apontam o volume de recursos empenhados para Soraya Thronicke, documentos da Câmara passaram a levantar suspeitas sobre a origem e a condução da denúncia apresentada contra Alfredo Gaspar.
Até as informações apresentadas nesta reportagem, os fatos permanecem inseridos em um cenário de acusações e suspeitas que envolve diferentes personagens da política nacional.