O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal), por meio de sua regional no Distrito Federal, aprovou a contratação da atriz Luana Piovani para participar de uma campanha de comunicação voltada à crítica da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da autonomia financeira e administrativa do Banco Central.
A autorização ocorreu durante reunião do conselho da entidade realizada em 9 de junho. Na ocasião, foi aprovado o pagamento de até R$ 300 mil pela gravação de um vídeo e pela publicação do conteúdo nas redes sociais da artista. O material foi divulgado no mesmo dia em seu perfil oficial.
Documentos internos detalham aprovação da contratação
Dias antes da divulgação das atas da reunião, o sindicato havia informado que não havia realizado pagamento pela participação da atriz. No entanto, documentos internos obtidos pela imprensa revelaram que a proposta foi submetida ao conselho e aprovada com cinco votos favoráveis e uma abstenção.
De acordo com a ata da reunião, a presidente do Sinal-DF, Edna Velho, defendeu o fortalecimento da estratégia de comunicação nas redes sociais diante da possibilidade de avanço da proposta no Senado. O documento registra que Luana Piovani foi escolhida em razão de seu histórico de manifestações públicas sobre temas sociais e de interesse coletivo.
As atas também indicam que a dirigente já havia conversado previamente com a atriz sobre a realização do trabalho e o valor da remuneração. Conforme o registro, o pagamento somente seria efetuado caso a contratação fosse aprovada pelo conselho.
Atriz diz que publicidade estava identificada e reafirma posição
Após a repercussão da reportagem, Luana Piovani comentou o assunto em suas redes sociais. A atriz afirmou que a publicação foi devidamente identificada como publicidade, destacando que considera essa transparência essencial para o público.
Ela também declarou que aceita divulgar apenas campanhas com as quais concorda e reiterou sua posição contrária à privatização do Banco Central, afirmando que compartilha do conteúdo defendido pelo sindicato.
Campanha recebeu outros investimentos
Além da contratação da atriz, o sindicato autorizou outras despesas relacionadas à mobilização contra a proposta. Em fevereiro, aprovou a destinação de R$ 250 mil para a elaboração de uma nota técnica. Posteriormente, em maio, autorizou mais R$ 250 mil para ampliar a divulgação da campanha.
Enquanto isso, a PEC foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 10 de junho e segue aguardando apreciação pelo plenário da Casa. A proposta continua gerando divergências, inclusive entre os próprios servidores do Banco Central.
A divulgação das atas do Sinal trouxe novos detalhes sobre a estratégia adotada pelo sindicato para ampliar a campanha de comunicação contra a PEC da autonomia financeira e administrativa do Banco Central. O tema permanece em debate no Senado e continua dividindo opiniões entre representantes da categoria.