A decisão do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, de incorporar seis deputados estaduais do PSDB à legenda acendeu um novo foco de desgaste político dentro da base do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. O movimento reposiciona o PSD na Assembleia Legislativa paulista (Alesp) e gera insatisfação entre aliados que disputam espaço e influência no governo estadual.
Com a chegada dos parlamentares tucanos, o PSD passa a ocupar a posição de segundo maior partido da base governista na Alesp, atrás apenas do PL. A mudança incomodou lideranças de partidos aliados como MDB, Podemos, PP e Republicanos, segundo relatos de bastidores do Palácio dos Bandeirantes.
O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, criticou publicamente a estratégia de Kassab, afirmando que o dirigente repete um padrão histórico de fortalecimento partidário por meio da migração de quadros de outras siglas. Apesar disso, Pereira negou que seu partido esteja reagindo com assédio político a integrantes do PSD em troca de cargos no governo.
Aliados de Tarcísio avaliam que a ofensiva era previsível, diante do enfraquecimento do PSDB e da afinidade programática entre as duas legendas. Ainda assim, há desconforto com o acúmulo de funções de Kassab, que além de liderar o PSD nacionalmente, ocupa a Secretaria de Governo e Relações Institucionais do Estado, o que, na visão de alguns aliados, amplia seu poder de articulação.
Outro ponto de atrito envolve a estratégia nacional do PSD. A legenda mantém a intenção de lançar candidatura própria à Presidência da República, sem garantir apoio automático ao projeto presidencial do grupo político ligado a Tarcísio, que hoje se alinha ao nome de Flávio Bolsonaro. Além disso, Kassab atraiu para o partido governadores e líderes que figuram como pré-candidatos da direita, como Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Eduardo Leite.
A crise também atinge diretamente a discussão sobre a composição da chapa de reeleição ao governo paulista. Atualmente, a vice-governadoria é ocupada por Felício Ramuth, filiado ao PSD. Kassab, no entanto, tem sinalizado que deseja pessoalmente ocupar a vaga caso ela continue com o partido, alimentando especulações sobre seus planos futuros no Estado.
Tarcísio, por sua vez, demonstra preferência por manter Ramuth como vice, destacando a relação de confiança construída ao longo do mandato e avaliando que, desta vez, possui força política suficiente para definir a chapa sem concessões amplas aos aliados.
A incorporação de deputados do PSDB ao PSD não apenas altera o equilíbrio de forças na Alesp, como também desencadeia uma reorganização mais ampla na base governista de São Paulo. Com a filiação oficial marcada para 4 de março, cresce a expectativa de uma “dança das cadeiras” entre partidos aliados, à medida que pré-candidatos buscam melhores condições para as próximas eleições. O desfecho das negociações entre Kassab, Tarcísio e Felício Ramuth será decisivo para o futuro da aliança e para o desenho político do Estado nos próximos anos.
Deputados que migraram para o PSD
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Analice Fernandes
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Barros Munhoz
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Carlão Pignatari
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Maria Lucia Amary
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Mauro Bragato
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Rogério Nogueira
Além deles, Dirceu Dalben, atualmente no Cidadania, também deve se filiar ao partido.