A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel chega ao terceiro dia nesta segunda-feira (2), após um fim de semana marcado por ataques e retaliações. O confronto já atinge diretamente ao menos 11 países, deixa centenas de mortos e provoca efeitos econômicos e diplomáticos em escala mundial.
O estopim da crise ocorreu no sábado (28), quando uma ação coordenada por Washington e Tel Aviv resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. A partir desse episódio, o Oriente Médio mergulhou em uma sequência de ofensivas militares que ampliaram a tensão internacional.
Ataques, mortes e retaliações
Após a morte de Khamenei, Teerã lançou ofensivas contra bases militares americanas espalhadas pela região. Segundo a mídia estatal iraniana, o ataque inicial deixou ao menos 200 mortos e mais de 700 feridos.
Em Israel, um bombardeio iraniano atingiu um prédio residencial, resultando na morte de nove pessoas e cerca de 20 feridos. Já os Estados Unidos registraram suas primeiras baixas militares: três soldados morreram após um ataque ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico.
Em pronunciamento no domingo, o presidente Donald Trump admitiu que novas mortes podem ocorrer e afirmou que haverá resposta às ofensivas iranianas. Ele também declarou que as operações continuarão até que “todos os objetivos sejam atingidos”, sem detalhar quais seriam essas metas.
Conflito se espalha por vários países
As ações retaliatórias do Irã atingiram ao menos nove países da região: Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Jordânia e Omã.
Nos Emirados Árabes Unidos, três pessoas morreram em decorrência dos ataques. No Kuwait, foi registrada uma morte, enquanto no Bahrein, a queda de destroços de um míssil interceptado matou um trabalhador.
A tensão também chegou ao Líbano. O grupo Hezbollah reivindicou um ataque contra uma base militar em Haifa, no norte de Israel. Em resposta, as Forças de Defesa israelenses bombardearam alvos do grupo em território libanês, alegando que o Hezbollah atua em nome do regime iraniano. A nova ofensiva encerra o cessar-fogo que estava vigente desde novembro de 2024.
Sucessão no Irã após morte de Khamenei
A morte de Ali Khamenei desencadeou manifestações de protesto e celebrações em diferentes partes do mundo. No Irã, teve início o processo de transição de poder.
O aiatolá Alireza Arafi foi nomeado membro jurista do Conselho dos Guardiões, órgão responsável por conduzir o país interinamente até a escolha do novo líder supremo. Ao lado dele, assumem temporariamente o comando o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que a definição do novo líder deve ocorrer em “um ou dois dias”, indicando uma possível transição rápida.
Europa e Reino Unido se posicionam
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, alertou para o risco de uma escalada ainda maior e defendeu uma transição confiável no Irã que permita restabelecer a estabilidade regional.
Já o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou que o país não participará diretamente de ataques, mas autorizou que os Estados Unidos utilizem bases britânicas para operações consideradas “defensivas”, com foco na destruição de mísseis iranianos.
Impacto global: petróleo dispara e voos são cancelados
Além das perdas humanas e da destruição de infraestruturas, o conflito no Oriente Médio já provoca reflexos econômicos significativos.
O preço do petróleo subiu 10% no domingo, alcançando cerca de US$ 80 por barril. Analistas avaliam que a cotação pode chegar a US$ 100 caso as hostilidades continuem.
Após alertas de Teerã sobre riscos na navegação, empresas de transporte marítimo suspenderam o envio de petróleo, combustíveis e gás natural liquefeito pelo Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo.
No setor aéreo, centenas de voos foram cancelados e milhares de passageiros ficaram retidos. Aeroportos em Dubai, Abu Dhabi e Doha — importantes hubs internacionais que recebem cerca de 90 mil conexões diárias — foram diretamente afetados pelos bombardeios, gerando caos nos terminais.
Com centenas de mortos, expansão regional dos combates e impactos diretos na economia global, a guerra entre Estados Unidos, Irã e Israel entra em uma fase crítica. A sucessão no Irã, a postura das potências ocidentais e o avanço das operações militares serão determinantes para definir os próximos capítulos de um conflito que já ultrapassa as fronteiras do Oriente Médio.