Países como Brasil, China e Índia estão na mira de sanções econômicas mais duras dos Estados Unidos, caso continuem importando petróleo e gás da Rússia. A ameaça partiu de líderes da Otan e de congressistas norte-americanos que articulam medidas para enfraquecer financeiramente Moscou e pressionar por um cessar-fogo na guerra contra a Ucrânia.
Brasil entre os principais importadores de diesel russo em 2024
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o Brasil importou aproximadamente US$ 5,4 bilhões em diesel da Rússia apenas em 2024, consolidando-se como um dos maiores compradores globais do combustível russo no período. O volume também marcou um recorde histórico na balança comercial brasileira.
Mark Rutte, da Otan, faz alerta a Brasil, China e Índia
Após uma reunião com congressistas norte-americanos, o novo secretário-geral da Otan, Mark Rutte, foi direto ao apontar possíveis retaliações. Segundo ele, se líderes de países como Brasil, China e Índia continuarem comprando combustíveis fósseis da Rússia, poderão enfrentar sanções secundárias de até 100% em tarifas.
“Se você é o presidente da China, o primeiro-ministro da Índia ou o presidente do Brasil, e segue negociando com os russos, deve saber que, se Moscou não tratar a paz com seriedade, haverá sanções de 100%”, disse Rutte.
Trump promete reação dura caso guerra continue
Em meio ao avanço dos debates no Congresso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (14) que adotará uma postura mais firme em relação ao Kremlin. Caso não haja um cessar-fogo em até 50 dias, o governo norte-americano pretende impor tarifas punitivas de 100% contra a Rússia e estender essas medidas a países que seguirem comprando produtos energéticos russos.
Além disso, Trump confirmou o envio de sistemas de defesa Patriot à Ucrânia e prometeu que a Europa arcará com parte dos custos de ajuda militar.
Congresso americano planeja tarifa de até 500%
Um projeto de lei em tramitação no Senado dos Estados Unidos já conta com apoio de 85 dos 100 senadores e propõe tarifas de até 500% sobre importações de países que comprarem petróleo, gás natural ou urânio da Rússia.
Também há discussão sobre a utilização de ativos russos congelados. Estima-se que US$ 5 bilhões já estejam bloqueados pelas autoridades americanas, e parte desse montante poderia ser redirecionado para o financiamento da defesa ucraniana — uma medida sem precedentes nos moldes da política externa dos EUA.
Kremlin reage e pede análise das ameaças
Em resposta às declarações dos líderes ocidentais, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou nesta terça-feira (15) que as ameaças são consideradas “sérias” e que o governo russo precisa de tempo para avaliar com profundidade os impactos e possíveis reações diante da nova escalada de sanções.