O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se coloca como pré-candidato à Presidência da República, acelerou nas últimas semanas uma série de articulações políticas com foco nas eleições deste ano. A estratégia envolve consolidar candidaturas do PL nos estados, fortalecer palanques regionais e ampliar a presença do partido no Senado, etapa considerada fundamental para sustentar o projeto nacional.
Com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador tem atuado diretamente na resolução de disputas internas e na definição de nomes estratégicos em diferentes regiões do país.
Definições no Rio de Janeiro e em Santa Catarina
Entre terça (24/2) e quarta-feira (25/2), Flávio anunciou desfechos importantes dentro do partido.
No Rio de Janeiro, ele superou divergências com o governador Cláudio Castro (PL) e viabilizou a indicação do secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, como candidato ao Palácio Guanabara. Na mesma movimentação, comunicou que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, não teria espaço na legenda para disputar a reeleição.
Já em Santa Catarina, sob orientação de Jair Bolsonaro, o senador anunciou uma chapa totalmente composta por nomes do PL ao Senado: Caroline De Toni e Carlos Bolsonaro. A decisão contrariou planos do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e evidenciou a influência de Flávio na construção das candidaturas ao Legislativo.
Valdemar afirmou que não tem interferido na escolha dos candidatos ao Senado, restringindo sua influência às disputas para governos estaduais.
Agenda intensa após viagens internacionais
A ofensiva política ocorre após uma sequência de compromissos internacionais. Durante o Carnaval, Flávio esteve nos Estados Unidos para discursar na organização conservadora PragerU. Antes disso, já havia cumprido agendas no Oriente Médio e na Europa.
Nesta quarta-feira, o senador visitou Jair Bolsonaro na Papudinha, onde o ex-presidente cumpre pena por tentativa de golpe de Estado. Em seguida, reuniu deputados e senadores do PL em um encontro descrito como um momento de alinhamento interno.
Durante a reunião, Flávio apresentou um panorama das chapas já definidas e destacou que novas decisões devem ser tomadas nas próximas semanas. Segundo relatos de participantes, ele reconheceu que as alianças podem gerar desconfortos internos, mas pediu que o projeto nacional seja colocado acima de interesses individuais.
Construção de alianças e foco em São Paulo
Anotações atribuídas ao senador indicam envolvimento direto na montagem dos palanques estaduais, com registros sobre negociações em andamento e conversas pendentes com lideranças regionais.
Em São Paulo, por exemplo, há observações sobre a chapa à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, incluindo questionamentos sobre o atual vice, Felício Ramuth. Flávio deve se reunir com Tarcísio para tratar da estruturação do palanque no maior colégio eleitoral do país.
O PL trabalha com a possibilidade de lançar até 11 candidatos aos governos estaduais e busca ampliar sua bancada no Senado — prioridade defendida por Jair Bolsonaro, que considera o controle da Casa estratégico.
Viagens pelo Brasil e fortalecimento no Nordeste
Além das negociações internas, Flávio deve iniciar uma agenda de viagens pelo país. Há previsão de participação, em 22 de março, no lançamento da pré-candidatura de Efraim Filho ao governo da Paraíba. Também está prevista ida ao Rio Grande do Sul no dia 28 e presença em ato convocado na avenida Paulista no próximo dia 1º.
O fortalecimento dos palanques estaduais é visto como etapa decisiva da campanha ao Planalto, especialmente no Nordeste — região onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), provável candidato à reeleição, apresenta melhor desempenho.
Tentativa de pacificação interna no PL
Paralelamente à montagem das chapas, Flávio tem atuado para reduzir tensões dentro do partido. Um dos episódios envolve sua madrasta, Michelle Bolsonaro, que tem sido alvo de críticas de setores bolsonaristas e do próprio núcleo familiar.
O deputado Eduardo Bolsonaro chegou a cobrar publicamente que Michelle e Nikolas Ferreira manifestassem apoio à pré-candidatura de Flávio.
Em gesto de apaziguamento, o senador fez questão de afastar qualquer ruído com Michelle ou Nikolas durante o encontro com parlamentares. O deputado mineiro, inclusive, discursou e elogiou Flávio. Michelle não participou da reunião, mas enviou mensagem informando que estava visitando Jair Bolsonaro.
A movimentação de Flávio Bolsonaro evidencia uma estratégia clara: consolidar o controle do PL nas disputas estaduais, fortalecer palanques regionais e ampliar a presença da legenda no Senado como base para sua pré-candidatura à Presidência.
Com viagens nacionais previstas, negociações em curso e esforços para unificar o partido, o senador busca estruturar uma campanha competitiva, especialmente em regiões onde o PT mantém vantagem eleitoral. A construção dessas alianças e a gestão das tensões internas serão determinantes para o avanço do projeto político ao Planalto.