A mudança de integrantes ligados ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Europa passou a chamar atenção após o avanço das investigações sobre irregularidades envolvendo recursos de aposentados do INSS. Assim como o filho mais velho do presidente, conhecido como Lulinha, seu ex-sócio Kalil Bittar também deixou o Brasil e passou a atuar fora do país.
Kalil Bittar vive há pelo menos um ano na região metropolitana de Lisboa. Sua saída do Brasil ocorre no mesmo período em que Lulinha decidiu se estabelecer em Madri, na Espanha. Apesar de não manterem mais sociedade formal desde 2023, os dois são apontados como atuando de forma conjunta, direcionando negócios e articulações para o exterior.
De acordo com informações apuradas, Bittar teria atuado ao lado da lobista Roberta Luchsinger e de um operador conhecido como “Careca do INSS” em negociações para intermediar a venda de canabidiol ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, a influência atribuída a Lulinha teria sido utilizada como ativo político. Há relatos de que o operador custeou passagens aéreas em classe executiva para viagens de Lulinha à Europa.
Em depoimento prestado à Polícia Federal, um colaborador afirmou ter recebido R$ 30 milhões, além de pagamentos mensais de R$ 300 mil, supostamente repassados pelo operador ligado ao esquema investigado no INSS. Segundo as apurações, Bittar e Roberta Luchsinger atuariam como representantes comerciais, enquanto o filho do presidente entraria com o peso do sobrenome.
Os negócios também envolveriam a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., de propriedade de Roberta Luchsinger, especializada em intermediações entre empresas nacionais e estrangeiras. A empresária é alvo da Polícia Federal e reconhece que prestou serviços relacionados à regulação do setor de canabidiol, mas nega qualquer participação no esquema conhecido como “Farra do INSS”.
Além disso, Roberta costuma permanecer em um imóvel em Brasília que teria sido inicialmente alugado para uso de Lulinha e que atualmente funcionaria como escritório do grupo. Ela mantém relação pessoal próxima com o filho do presidente, inclusive com vínculo familiar demonstrado por uma tatuagem compartilhada com a esposa dele.
A defesa de Kalil Bittar confirmou que ele foi procurado pelo Careca do INSS e por Roberta Luchsinger, mas sustenta que nenhuma negociação foi concluída, alegando que o empresário optou por não se envolver no negócio.
No fim de 2025, Kalil Bittar voltou a ser alvo da Polícia Federal, desta vez na Operação Coffee Break. Ele é acusado de integrar uma suposta rede de tráfico de influência voltada a beneficiar empresas do setor educacional e de ter recebido R$ 210 mil em pagamentos periódicos. A defesa nega as acusações. Enquanto isso, as investigações seguem avançando, com foco nas conexões internacionais e nas articulações envolvendo recursos públicos e influência política.