O governo dos Estados Unidos avançou em mais uma iniciativa que pode impactar as exportações brasileiras. Nesta terça-feira (2), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou a proposta de uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil.
A medida surge após a conclusão de uma investigação internacional que analisou a atuação de diversos países no combate à entrada de mercadorias produzidas com mão de obra forçada em seus respectivos mercados.
Investigação envolveu 60 países
O levantamento conduzido pelo USTR avaliou 60 nações e buscou identificar a eficácia das políticas adotadas para impedir a circulação de produtos associados ao trabalho forçado.
De acordo com o relatório, o Brasil integra um grupo de 54 economias que, na avaliação dos Estados Unidos, não implementaram ou não aplicaram de forma eficiente mecanismos de bloqueio à importação desse tipo de mercadoria.
Além do Brasil, a relação inclui países como China, Argentina, Austrália, Japão, Reino Unido, Índia e África do Sul.
A investigação foi iniciada em março deste ano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, legislação utilizada pelos Estados Unidos para responder a práticas consideradas prejudiciais ou discriminatórias ao comércio norte-americano.
Segunda proposta tarifária em menos de 48 horas
A nova recomendação ocorre apenas um dia após outra decisão envolvendo o Brasil. Na ocasião, o USTR sugeriu uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros ao concluir uma investigação relacionada a práticas comerciais do país, incluindo questionamentos envolvendo o sistema de pagamentos Pix.
Segundo o órgão norte-americano, a falta de mecanismos eficazes para impedir a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado gera uma situação de concorrência desleal para empresas dos Estados Unidos que seguem normas trabalhistas mais rígidas.
Próximos passos
Apesar do anúncio, a tarifa de 12,5% ainda não foi oficialmente adotada. A proposta passará por etapas de consulta pública e audiências previstas para o mês de julho.
Somente após a conclusão desse processo o governo do presidente Donald Trump deverá tomar uma decisão definitiva sobre a aplicação da medida.
A nova proposta tarifária amplia a pressão comercial dos Estados Unidos sobre o Brasil e pode trazer impactos relevantes para as relações econômicas entre os dois países. Com duas recomendações de tarifas adicionais apresentadas em curto espaço de tempo, o tema deve ganhar destaque nas discussões comerciais e diplomáticas nas próximas semanas.
Veja lista completa:
- Argélia;
- Angola;
- Argentina;
- Austrália;
- Bahamas;
- Bahrein;
- Bangladesh;
- Brasil;
- Camboja;
- Chile;
- República Popular da China;
- Colômbia;
- Costa Rica;
- República Dominicana;
- Egito;
- El Salvador;
- Guatemala;
- Guiana;
- Honduras;
- Hong Kong – território autônomo no sudeste da China;
- Índia;
- Iraque;
- Israel;
- Japão;
- Jordânia;
- Cazaquistão;
- Kuwait;
- Líbia;
- Malásia;
- Marrocos;
- Nova Zelândia;
- Nicarágua;
- Nigéria;
- Noruega;
- Omã;
- Peru;
- Filipinas;
- Catar;
- Rússia;
- Arábia Saudita;
- Cingapura;
- África do Sul;
- Coréia do Sul;
- Sri Lanka;
- Suíça;
- Taiwan;
- Tailândia;
- Trinidad e Tobago;
- Turquia;
- Emirados Árabes Unidos;
- Reino Unido;
- Uruguai;
- Venezuela; e
- Vietnã.