Daniel Vorcaro adotou uma nova estratégia para sua defesa ao contratar o escritório Bialski Advogados Associados, após não conseguir avançar em duas tentativas de firmar um acordo de colaboração premiada com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A nova equipe é composta pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine e André Bialski, que passam a atuar ao lado de Sérgio Leonardo, único defensor que permaneceu no caso desde o início da Operação Compliance Zero, deflagrada em 2025. A informação foi divulgada pelo portal g1.
Mudanças na defesa e prisões marcaram o caso
Desde o início das investigações, Vorcaro já promoveu mudanças em sua equipe jurídica em diferentes momentos. Entre os profissionais que atuaram anteriormente em sua defesa estão Pierpaolo Bottini, Roberto Podval, Walfrido Warde e o próprio Sérgio Leonardo.
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, quando tentava deixar o Brasil em um jato particular. Ainda naquele mês, conseguiu liberdade por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
Posteriormente, o processo foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), após a defesa informar possível participação de uma autoridade com foro privilegiado. A hipótese surgiu depois que uma pasta identificada com o nome de um deputado foi encontrada durante buscas realizadas em um endereço ligado ao investigado.
Processo passou por dois ministros do STF
Inicialmente, o caso ficou sob responsabilidade do ministro Dias Toffoli. Entretanto, a relatoria foi alterada após a Polícia Federal informar ao STF que havia encontrado diversas referências ao nome do ministro em um dos celulares apreendidos com Vorcaro.
Com a redistribuição, o processo passou ao ministro André Mendonça, que determinou uma nova prisão do ex-banqueiro em março. Na mesma decisão, também foram decretadas as prisões do pai, do cunhado e de um primo de Vorcaro, investigados por suposta participação no esquema de fraudes financeiras.
Tentativas de colaboração não avançaram
Após a segunda prisão, Daniel Vorcaro reformulou novamente sua estratégia de defesa. Três escritórios deixaram de atuar no caso, enquanto o criminalista José Luís de Oliveira Lima, conhecido como “Juca”, iniciou negociações para um possível acordo de colaboração premiada.
A proposta, porém, não foi aceita pela Polícia Federal nem pela Procuradoria-Geral da República, levando o advogado a se desligar da defesa.
Na sequência, Sérgio Leonardo apresentou uma nova tentativa de acordo, acrescentando informações e detalhes considerados inéditos pela defesa. Ainda assim, as autoridades entenderam que o conteúdo não era suficiente para justificar a negociação, destacando que as investigações já contam com amplo conjunto de provas reunidas ao longo das dez fases da Operação Compliance Zero, especialmente a partir da análise de celulares apreendidos com Vorcaro e outros empresários.
Novo movimento na defesa
Com a chegada do escritório Bialski Advogados Associados, a expectativa da defesa é buscar uma nova aproximação com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, em mais uma tentativa de viabilizar um acordo de colaboração premiada enquanto o ex-banqueiro permanece preso em Brasília desde março.