O ex-banqueiro Daniel Vorcaro continua empenhado em firmar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF), mesmo diante de especulações divulgadas recentemente. A estratégia ganhou força após mudanças em sua equipe de defesa, indicando uma nova fase nas tratativas de colaboração.
A substituição de advogados foi um passo decisivo nesse processo. A saída de Pierpaolo Bottini e a entrada de José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, ocorreu justamente para viabilizar o avanço das negociações com as autoridades. O novo defensor possui experiência em casos de grande repercussão nacional e já participou de acordos de colaboração relevantes, além de atuar em defesas de figuras políticas de destaque.
Antes da mudança, a possibilidade de delação já causava divergências dentro da equipe jurídica. Parte dos advogados era contrária à colaboração devido a potenciais conflitos de interesse, já que possíveis citações de empresários e dirigentes partidários poderiam envolver clientes do próprio escritório. Com a reorganização da defesa, esse impasse foi parcialmente superado.
Vorcaro foi preso novamente no dia 4 de março por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, após investigações apontarem descumprimento de medidas cautelares. A decisão foi confirmada pela 2ª Turma da Corte. Apesar disso, a defesa atua em duas frentes: tentar reverter ou flexibilizar a prisão e, paralelamente, avançar nas negociações de colaboração.
O caso está inserido no contexto das investigações envolvendo o colapso do Banco Master, considerado um dos episódios financeiros mais delicados em análise no país. Relatórios da PF indicam suspeitas de irregularidades como a suposta superavaliação de ativos e a emissão de títulos sem respaldo para manter as operações da instituição.
As apurações também apontam uma rede de relações que inclui autoridades públicas, integrantes do sistema financeiro e operadores políticos. Um dos fatos que ampliaram a repercussão foi a existência de um contrato estimado em cerca de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. O acordo previa pagamentos mensais superiores a R$ 3,5 milhões durante três anos por serviços de consultoria junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal e Congresso Nacional.
Além disso, investigadores analisam a atuação de ex-dirigentes do Banco Central, que teriam prestado orientação regulatória ao banco enquanto ainda ocupavam cargos na instituição.
A possível delação de Daniel Vorcaro pode representar um novo capítulo nas investigações sobre o Banco Master, ampliando o alcance das apurações e envolvendo diferentes setores. Enquanto busca alternativas jurídicas no STF, a defesa mantém aberta a via da colaboração, que pode trazer novos desdobramentos para um dos casos mais sensíveis do cenário financeiro nacional.