O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná decidiu nesta segunda-feira (11) recomendar a perda do mandato do deputado estadual Renato Freitas, do PT, por suposta quebra de decoro parlamentar. O parecer favorável à cassação foi elaborado pelo deputado Márcio Pacheco, do Republicanos, e aprovado pela maioria dos integrantes do colegiado.
Processo segue para a CCJ da Alep
Após a aprovação do relatório no Conselho de Ética, o processo será encaminhado para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná. A apreciação do caso pelo colegiado está prevista para acontecer nesta terça-feira (12), às 13h30.
Mesmo com o avanço do processo, a cassação do parlamentar ainda dependerá de votação em plenário. Para que Renato Freitas perca definitivamente o mandato, será necessário o apoio da maioria absoluta dos deputados estaduais.
Entenda o caso que motivou o pedido de cassação
A representação contra Renato Freitas teve origem em um episódio registrado em novembro de 2025, na região central de Curitiba. Conforme o processo, o deputado se envolveu em uma discussão e troca de agressões com o manobrista Weslley de Souza Silva enquanto acompanhava sua companheira grávida em uma consulta médica.
Imagens captadas por testemunhas e câmeras de segurança mostraram os dois envolvidos trocando socos e chutes em via pública. Os vídeos circularam nas redes sociais e ganharam grande repercussão nacional.
Durante a sessão do Conselho de Ética, o deputado Dr. Antenor, também do PT, apresentou um parecer alternativo sugerindo o arquivamento do processo ou a aplicação de sanções mais brandas. A proposta, no entanto, foi rejeitada pelos demais membros do colegiado.
Defesa afirma que episódio ocorreu na vida privada
A defesa de Renato Freitas sustentou que a confusão ocorreu em contexto pessoal e sem ligação direta com o exercício da atividade parlamentar. Esse entendimento já havia sido mencionado anteriormente pelo Tribunal de Justiça do Paraná ao rejeitar uma notícia-crime envolvendo o caso.
O relator Márcio Pacheco discordou da tese apresentada pela defesa. Segundo ele, o deputado estava acompanhado de um assessor da Assembleia Legislativa e utilizava um veículo vinculado à Casa durante o episódio.
Para o parlamentar, a conduta atribuída a Renato Freitas compromete a imagem institucional da Alep e seria incompatível com o cargo exercido.
Conselho também aprovou outras punições
Na mesma reunião, o Conselho de Ética analisou outras duas representações contra Renato Freitas. Uma delas envolve um protesto realizado em uma unidade da rede de supermercados Muffato. A outra trata de uma discussão seguida de agressão durante uma reunião da CCJ da Alep.
Nos dois processos, os integrantes do colegiado aprovaram a suspensão das prerrogativas parlamentares do deputado petista pelo período de 30 dias.