O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), não demonstra intenção de deixar a condução dos processos relacionados aos casos envolvendo o Banco Master e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi apurada pela revista Oeste em meio a uma crescente tensão interna na Corte.
A possibilidade de mudança nas relatorias ganhou força nos últimos dias. O presidente do STF, Edson Fachin, estaria avaliando assumir os dois casos e, conforme relatos, busca levar a discussão ao plenário do Supremo.
Fachin enfrenta pressão dentro do Supremo
A movimentação ocorre em um cenário de disputas internas no STF. Fachin estaria tentando construir uma composição capaz de dialogar com diferentes grupos da Corte, incluindo a ala ligada ao decano Gilmar Mendes.
Ao mesmo tempo, o presidente do Supremo estaria negociando o encerramento do Inquérito das Fake News, medida que conta com apoio de integrantes da Corte, entre eles André Mendonça.
A situação se tornou ainda mais delicada depois que um relatório da Polícia Federal teve seu sigilo retirado e passou a envolver o nome do ministro Alexandre de Moraes.
Segundo as informações apresentadas, a pressão sobre Fachin aumentou após a divulgação de uma carta assinada por 13 ex-presidentes do STF. No documento, os antigos integrantes da presidência da Corte cobraram uma resposta considerada urgente diante da crise.
Reuniões aumentam movimentação no STF
A tensão também passou a fazer parte da agenda institucional de Edson Fachin. O presidente do Supremo recebeu o ministro da Justiça, Wellington Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias.
As reuniões ocorreram enquanto o tribunal enfrenta questionamentos relacionados às investigações e à condução de processos de grande repercussão nacional.
Mendonça afasta diretor-geral da Polícia Federal
Paralelamente, André Mendonça tomou uma decisão envolvendo a cúpula da Polícia Federal. O ministro afastou o diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, após considerar que ele havia sido alvo de espionagem ilegal durante aproximadamente um mês.
A medida ocorreu em um contexto de forte conflito entre Mendonça e Alexandre de Moraes.
De acordo com as informações apresentadas, Moraes teria utilizado relatórios considerados apócrifos da Polícia Federal para atribuir a Mendonça possíveis práticas relacionadas a abuso de autoridade, crimes de responsabilidade e improbidade administrativa.
Relatorias continuam no centro da disputa
A permanência de André Mendonça à frente dos processos do Banco Master e do INSS coloca as relatorias no centro das atuais disputas dentro do Supremo Tribunal Federal.
Enquanto Fachin avalia uma possível mudança no comando das investigações, Mendonça mantém a posição de não abrir mão dos casos. O episódio ocorre simultaneamente a uma série de movimentos institucionais e políticos que elevaram a temperatura dentro da principal Corte do Judiciário brasileiro.