A tentativa de apresentar o afastamento do ministro Dias Toffoli como uma “saída honrosa” provocou forte reação no meio político e jurídico. Para o jornalista Mario Sabino, em artigo publicado no Metrópoles, o movimento não apenas falha em conter a crise como aprofunda o desgaste institucional do Supremo Tribunal Federal. A repercussão do caso envolvendo o Banco Master segue expondo contradições, silêncios e decisões difíceis de explicar à sociedade.
A nota divulgada por ministros do STF gerou espanto ao afirmar que não haveria “cabimento para a arguição de suspeição” de Toffoli, apesar de o próprio ministro ter sido retirado do inquérito exatamente por essa condição. A incongruência, segundo Sabino, compromete a credibilidade do discurso oficial.
Outro ponto criticado é a alegação de que Toffoli teria atendido integralmente aos pedidos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Na prática, houve o confisco de provas colhidas pela PF — decisão que causou perplexidade interna — e a recusa em cancelar uma acareação considerada vexatória, que colocaria um diretor do Banco Central sob suspeita semelhante à dos investigados.
A situação se agravou quando a PF comunicou ao presidente do STF, Edson Fachin, a existência de indícios de crimes atribuídos a Toffoli. Ainda assim, a nota oficial falou em “inexistência de suspeição ou impedimento”, reforçando a percepção de blindagem corporativa.
O colunista também questiona se a estratégia de afastar Toffoli — simulando que a decisão partiu do próprio ministro — seria suficiente para estancar a crise do caso Master. Para ele, a resposta é negativa, sobretudo diante de relatos de que integrantes do topo do Judiciário teriam recebido, direta ou indiretamente, valores do banqueiro responsável por uma fraude de grandes proporções.
Nesse contexto, cresce a cobrança pela atuação do procurador-geral da República. A omissão, diante de evidências robustas, é classificada como injustificável e incompatível com o papel constitucional de defesa da ordem jurídica e do interesse público.
A crise ganhou novo fôlego com revelações da jornalista Malu Gaspar, apontando que a PF encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, conversas que citam não apenas Toffoli, mas também Alexandre de Moraes. Segundo a apuração, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, teria informado a Fachin sobre mensagens e diálogos envolvendo pagamentos e uma relação próxima entre Moraes e o banqueiro.
Para Mario Sabino, o “silêncio institucional” imposto pelo STF não protege a Corte — ao contrário, amplifica a vergonha pública. O celular de Daniel Vorcaro, repleto de mensagens e referências comprometedoras, continua “gritando”, enquanto o país aguarda providências concretas. No entendimento do colunista, tratar o afastamento de Toffoli como gesto nobre é, na prática, transformar uma crise ética em mais um capítulo de desonra para o Supremo.