A morte brutal do pastor James Audu Issa, líder da Evangelical Church Winning All (ECWA), no estado de Kwara, na Nigéria, voltou a expor a gravidade da perseguição religiosa no país. Issa foi sequestrado no final de agosto e, mesmo após o pagamento de um alto resgate, foi executado no início de outubro.
Sequestro, extorsão e morte
O líder religioso foi raptado em 28 de agosto por criminosos identificados como integrantes de um grupo de pastores Fulani. Os sequestradores exigiram inicialmente 100 milhões de nairas (cerca de R$ 625 mil). Após negociações, a quantia foi reduzida para 5 milhões de nairas (aproximadamente R$ 31 mil), valor que foi pago por familiares e membros da igreja.
Mesmo assim, os criminosos pediram mais 45 milhões de nairas e, antes de qualquer nova negociação, mataram o pastor. O corpo foi encontrado dias depois em uma região desértica. A notícia causou forte comoção na comunidade local e entre líderes cristãos do país.
Comunidade em luto e cobranças por justiça
Em comunicado oficial, o reverendo Romanus Ebeneokodi, porta-voz da ECWA, lamentou profundamente a perda. Segundo ele, Issa era um homem de fé, pai de família e líder respeitado. “Sua morte aprofunda a dor de uma igreja já marcada por anos de ataques e perseguições”, afirmou.
O editor da revista Today’s Challenge, Ralph Madugu, classificou o episódio como “mais um entre inúmeros assassinatos de líderes religiosos” e cobrou ações efetivas das autoridades. Para ele, a falta de resposta do governo diante desses crimes cria um ambiente de impunidade e incentiva novos ataques.
Violência em crescimento
A escalada da violência contra cristãos na Nigéria tem sido confirmada por relatórios internacionais. O Grupo Parlamentar do Reino Unido para Liberdade de Religião ou Crença aponta que parte dos pastores Fulani adotou ideologias jihadistas inspiradas em organizações como Boko Haram e Estado Islâmico na África Ocidental. Além disso, a desertificação tem aumentado disputas por terras com comunidades cristãs, intensificando ainda mais os conflitos.
De acordo com a Portas Abertas, a Nigéria figura entre os países mais perigosos do mundo para os seguidores de Cristo. No último ano, das 4.476 mortes por motivos religiosos registradas globalmente, 3.100 ocorreram no país. Sequestros, estupros, ataques a igrejas e massacres de fiéis têm se tornado frequentes.
Crescimento de grupos extremistas
A presença de novos grupos jihadistas, como o Lakurawa — ligado à Al-Qaeda e originário do Mali —, tem ampliado a instabilidade na região. O avanço dessas organizações fez com que a Nigéria fosse classificada como o sétimo país mais perigoso do mundo para a prática do cristianismo.
O assassinato do pastor James Issa não é um caso isolado. Ele representa uma realidade alarmante para milhares de cristãos nigerianos que vivem sob constante ameaça. Líderes religiosos e organizações internacionais têm reforçado a necessidade de pressão global sobre o governo nigeriano para que medidas concretas sejam tomadas, garantindo segurança, liberdade de fé e justiça para as vítimas dessa violência crescente.