Um momento inusitado marcou a edição do Prime Time, da CNN Brasil. Durante a transmissão do desfile militar em Pequim, a jornalista Thais Herédia descreveu a cena chamando os presentes de “líderes do mundo todo”. O comentário, aparentemente inofensivo, acabou rendendo uma resposta imediata e dura de Lourival Sant’Anna, que não deixou passar a generalização e expôs, em rede nacional, o perfil autoritário da maioria dos convidados.
O deslize de Thais Herédia
Enquanto mostrava a “foto de família” das autoridades presentes ao lado de Xi Jinping, Herédia citava figuras como Vladimir Putin, Kim Jong-un, Celso Amorim e Dilma Rousseff. Em seu tom de análise, tratou o encontro como um grande evento internacional, envolvendo “líderes do mundo todo”, sem diferenciar regimes democráticos de autocracias.
A resposta atravessada de Lourival
Foi então que Lourival Sant’Anna entrou em cena e, de forma incisiva, corrigiu a colega:
“Você falou líderes do mundo inteiro, eu acrescentaria do mundo ditatorial inteiro, do mundo autocrático inteiro. Tem muito poucos governantes de países democráticos aqui.”
A fala soou como uma verdadeira invertida, deixando claro que não se tratava de um encontro plural e democrático, mas sim de uma reunião de ditadores, muitos deles acusados de crimes graves contra seus povos.
Desfile de ditadores
Lourival destacou que, além de Putin e Kim Jong-un, a foto incluía nomes como Alexander Lukashenko, da Belarus, conhecido pela repressão à oposição e apoio à invasão russa da Ucrânia, o ditador de Mianmar, responsável pelo golpe contra Aung San Suu Kyi, e o presidente do Irã, ligado a grupos terroristas internacionais.
Ele ainda frisou que nem mesmo Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia e figura-chave nas negociações com a China, quis ser associado ao evento e deixou a cerimônia antes do desfile militar.
Recado para o governo Lula
A presença de Celso Amorim, assessor de Lula, foi interpretada por Sant’Anna como mais uma prova do alinhamento ideológico do atual governo com regimes autocráticos, seguindo a mesma linha de quando Lula participou de desfiles militares em Moscou.
Constrangimento ao vivo
O contraste entre o comentário inicial de Thais Herédia e a dura correção de Lourival Sant’Anna não passou despercebido. O momento acabou soando como um constrangimento ao vivo, já que a jornalista buscava dar um tom diplomático e acabou recebendo uma resposta direta que expôs a natureza autoritária dos “líderes” presentes em Pequim.
O episódio deixou claro que, em jornalismo internacional, as palavras importam. Enquanto Thais Herédia tentou adotar uma visão mais ampla e neutra, Lourival não titubeou em apontar a realidade: o que se viu em Pequim não foi uma celebração da diversidade de lideranças mundiais, mas sim um “desfile de ditadores” em plena exibição de força militar chinesa.
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