A deputada federal Adriana Ventura (Novo-SP) declarou que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS não terminará sem apontar culpados. Em entrevista concedida nesta quinta-feira (28), a parlamentar afirmou que a comissão está preparada para enfrentar pressões políticas e investigar a fundo o esquema de fraudes na Previdência Social.
Mais de mil requerimentos apresentados
Segundo Ventura, a CPMI já protocolou mais de mil pedidos, incluindo quebras de sigilo, convocações e busca de valores desviados. O foco das apurações não se restringe ao governo atual, mas abrange desde 2015, período que engloba as gestões de Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.
Ela criticou o acordo proposto pelo governo federal para ressarcir aposentados apenas em relação aos últimos cinco anos de perdas, classificando a medida como uma “enganação”. Para a deputada, os prejuízos se acumulam há pelo menos uma década e parte dos recursos já foi enviada para o exterior.
Acusações de omissão e blindagem
Ventura questionou a atuação do Executivo na recuperação dos valores desviados. Para ela, houve rapidez da Advocacia-Geral da União em outras situações, mas falta empenho em localizar operadores do esquema fora do país.
A parlamentar também apontou sinais de proteção a entidades ligadas ao governo, como a Contag e o Sindicato Nacional dos Aposentados. Ela alertou ainda para a possibilidade de interferência do Supremo Tribunal Federal (STF) nos inquéritos, caso parlamentares sejam envolvidos.
Riscos políticos e impacto eleitoral
De acordo com a deputada, o avanço das investigações pode atingir nomes de seis partidos, mas ela admite dificuldades em responsabilizar políticos devido ao que chama de “blindagem”. Ainda assim, Ventura acredita que a exposição pública será suficiente para revelar os responsáveis: “Todo mundo vai saber quem foi”, declarou.
Os números levantados pela CPMI, segundo a parlamentar, revelam o crescimento expressivo das fraudes: R$ 700 milhões em 2022, R$ 1,3 bilhão em 2023 e R$ 2,6 bilhões em 2024. Em sua avaliação, em ano eleitoral será difícil para deputados e senadores votarem contra evidências de corrupção sem prejudicar a própria imagem.
Bancos na mira da comissão
Outro ponto de investigação envolve instituições financeiras, especialmente a relação entre descontos associativos e empréstimos consignados. Ventura afirmou que dirigentes de bancos foram convocados para prestar esclarecimentos e destacou que alguns se beneficiaram ilegalmente da prática.
Base governista fragilizada
Na visão da deputada, a base aliada do governo na CPMI está enfraquecida e tende a perder mais força à medida que novas revelações venham à tona. Mesmo assim, ela reconhece que o Executivo continua articulando para proteger aliados.
Ventura também responsabilizou diretamente o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, afirmando que ele foi alertado em 2023 sobre as irregularidades e não tomou providências. “Eles sabiam, acobertaram e nada fizeram. É vergonhoso”, concluiu.