Desde que passou a cumprir prisão domiciliar em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro tem recebido um fluxo constante de visitas políticas. A residência, localizada no Jardim Botânico, transformou-se em um espaço de reuniões estratégicas e de conversas reservadas, acompanhadas de perto pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Autorização de visitas sob regras rígidas
O ministro Alexandre de Moraes, responsável pela condução do processo, ampliou recentemente a lista de pessoas autorizadas a visitar Bolsonaro. As visitas são permitidas apenas entre 10h e 18h e seguem normas restritivas — como a proibição do uso de celulares dentro da casa.
Entre os novos nomes liberados estão o senador Rogério Marinho (PL-RN), o deputado Altineu Côrtes (PL-RJ) e o vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo (MDB). Também receberam autorização o deputado Tomé Abduch (PL-SP) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Neste último caso, a defesa argumentou que a presença de Valdemar seria fundamental para o bem-estar emocional e físico de Bolsonaro.
Cada solicitação de visita passa por avaliação individual de Moraes e segue uma ordem de chegada. O ministro mantém controle direto sobre quem entra na residência do ex-presidente.
Clima nas reuniões e impressões dos aliados
Apesar da reclusão, Bolsonaro continua ativo nos bastidores da política. Os relatos de parlamentares e lideranças que o visitaram descrevem um ambiente de calma estratégica. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que encontrou o aliado “sereno”.
O deputado Junio Amaral (PL-MG), por sua vez, classificou o clima como “tranquilo”, embora marcado por “indignação”. Outros visitantes frequentes incluem os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e parlamentares como Marcelo Moraes (PL-RS), Zucco (PL-RS), Domingos Sávio (PL-MG), Júlia Zanatta (PL-SC), Capitão Alden (PL-BA) e Joaquim Passarinho (PL-PA). Também estiveram na residência a deputada Celina Leão (PP-DF) e o empresário Renato de Araújo Corrêa.
Acompanhamento médico liberado
Além dos aliados políticos, Bolsonaro recebeu autorização para ser atendido por quatro médicos de confiança, sem necessidade de aviso prévio. A medida, também validada por Moraes, garante atendimento dentro de parâmetros legais e já envolve profissionais que cuidavam dele antes da prisão domiciliar.
Entre os médicos estão o cirurgião Cláudio Birolini, o dermatologista Erasmo Tokarski, a clínica Luciana Tokarski e o cardiologista Leandro Santini Echenique.
Mesmo sob prisão domiciliar, Jair Bolsonaro mantém presença ativa no cenário político, utilizando as visitas autorizadas como forma de articulação e troca de análises estratégicas com aliados. As decisões de Moraes, que controlam rigorosamente o fluxo de pessoas e atendimentos, mostram que cada passo do ex-presidente segue monitorado de perto pelo STF.