A recente fala do marqueteiro Duda Lima, que viralizou nas redes sociais, ecoa uma indignação que muitos brasileiros compartilham — e eu, particularmente, me incluo entre eles. O Brasil está sendo prejudicado? Sim, e muito. Mas não é por uma ação isolada de um país estrangeiro ou por um suposto imperialismo norte-americano. Estamos colhendo os frutos amargos de uma sequência de atitudes irresponsáveis, provocativas e incoerentes tomadas pelo atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e chanceladas por um Supremo Tribunal Federal cada vez mais ativista, político e intervencionista em questões que, claramente, extrapolam suas competências.
Duda Lima foi direto ao ponto: os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, e mesmo assim, Lula decidiu atacar, desprezar e desafiar o país que mais compra nossos produtos. Só no ano passado, a balança comercial registrou 40 bilhões de dólares em negócios com os EUA. É desse dinheiro que vem boa parte do fôlego do agro, da indústria e do próprio governo que agora joga tudo isso no lixo por puro populismo ideológico.
Por volta das eleições americanas, Lula disse, em rede internacional, que a volta de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos seria a “volta do fascismo”. Que tipo de governante diz isso sobre um possível futuro líder de um país aliado, com quem deveria dialogar, negociar e manter relações diplomáticas estáveis? Isso não é coragem, é irresponsabilidade travestida de arrogância. O mesmo presidente que, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, disse que o conflito se resolveria “sentando num bar e tomando cerveja”, agora se nega ao diálogo e parte para agressões verbais e diplomáticas. Ora, se para ele tudo se resolve na base da conversa, por que não chamou o presidente americano para discutir antes de xingar e afrontar?

Pior: Lula não está sozinho nessa jornada desastrosa. O STF, na figura do ministro Alexandre de Moraes, também contribuiu para o agravamento da situação ao punir empresas e cidadãos americanos, extrapolando qualquer limite de soberania jurídica. Qual o resultado? Os Estados Unidos reagiram. E com razão. Quem puxou a corda demais foi o Brasil. E como todo mundo sabe, quem puxa a corda demais uma hora quebra. E quebrou.
Agora a conta chegou e quem sofre é o povo. Vai doer no agro, que será diretamente afetado pelas novas barreiras comerciais. Vai doer na Petrobras e no preço dos combustíveis, que já está pressionado por incertezas no mercado internacional. Vai doer no bolso do cidadão comum, que mais uma vez será quem pagará pelos erros de um governo que prefere bravatas a resultados.
E o mais revoltante é ver Lula falar de “união e reconstrução” enquanto semeia desunião e destruição. Duda Lima foi cirúrgico quando lembrou da contradição do presidente ao criticar interferência na justiça brasileira, mas defender abertamente a libertação de Cristina Kirchner na Argentina. Afinal, pode ou não pode interferir na justiça dos outros? Ou só vale quando é um aliado ideológico?
O fato é que o Brasil perdeu o rumo na política externa. O presidente virou uma espécie de cachorro vira-lata que late atrás do muro, mas quando o portão abre, corre para dentro de casa. Late muito, morde pouco — e quem apanha é o povo.
Chega. Já deu. Três mandatos depois, o Brasil parece mais dividido, isolado e mal administrado do que nunca. Lula teve sua chance. Aliás, teve três. Mas insistir nos mesmos erros é teimosia — ou perversidade. E a conta dessa imprudência está batendo à porta de todos os brasileiros.
A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.