A Prefeitura de Potirendaba, no interior de São Paulo, divulgou nesta quarta-feira (21) um vídeo que, segundo a prefeita Gi Franzotti (PL), registra uma professora da rede municipal fazendo declarações sobre uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) nas eleições e relacionando o resultado a possíveis mortes de estudantes negros e pardos.
O episódio veio à tona depois que uma mãe procurou a administração municipal para relatar que a filha, de 11 anos, teria voltado para casa chorando e demonstrando medo após o que ouviu durante uma aula.
Professora teria feito declarações sobre nazismo e fascismo
De acordo com a prefeita, o conteúdo relatado pela família pôde ser verificado por meio das câmeras de segurança instaladas na unidade escolar, que possuem sistema de gravação de áudio.
Segundo Gi Franzotti, durante a aula a professora abordou temas como nazismo e fascismo e apresentou aos alunos um cenário relacionado a uma possível eleição de Flávio Bolsonaro. Ainda conforme a prefeita, a docente teria afirmado que determinados estudantes poderiam morrer em razão da cor da pele.
Na gravação divulgada, a professora também faz uma associação entre Flávio Bolsonaro e os regimes comandados por Benito Mussolini e Adolf Hitler. Ao mencionar os dois líderes, porém, ela teria atribuído os respectivos regimes aos países de forma incorreta. Mussolini esteve à frente do fascismo na Itália, enquanto Hitler liderou o regime nazista na Alemanha.
Alunos questionaram se poderiam morrer
Durante a explicação em sala, a professora teria disse que pessoas brancas e ricas teriam maiores possibilidades de sobreviver em um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Em determinado momento, estudantes demonstram preocupação e questionam se poderiam ser mortos. A professora passa a identificar os alunos de acordo com a cor da pele e, conforme o conteúdo apresentado pela prefeitura, faz referências à possibilidade de escravização e morte.
Um dos estudantes teria sido informado de que estaria próximo da condição de escravizado por ser pardo. Ao perguntar se seria escravizado, o menino teria recebido como resposta que seria morto.
Prefeitura anuncia medidas para apurar o caso
Após a divulgação do vídeo, a prefeita Gi Franzotti informou que a administração municipal tomou providências para investigar a conduta da servidora.
Segundo ela, uma denúncia já havia sido protocolada no Ministério do Trabalho. O caso também seria encaminhado ao Ministério Público, ao juiz da Infância e da Juventude e ao Conselho Tutelar.
A prefeitura ainda anunciou a abertura de uma sindicância para apurar formalmente os fatos e avaliar a conduta da professora.
Prefeita defende monitoramento nas escolas
Ao comentar o episódio, Gi Franzotti também destacou a importância das câmeras de segurança instaladas nas unidades municipais de ensino.
Para a prefeita, o sistema de monitoramento, especialmente por contar com gravação de áudio, foi fundamental para verificar o relato apresentado pela família e permitir que a administração tivesse acesso ao que ocorreu durante a aula.
O caso envolvendo a professora de Potirendaba deverá ser analisado pelos órgãos mencionados pela prefeitura e também por meio da sindicância anunciada pela administração municipal.
A divulgação das imagens pela prefeita colocou em evidência as declarações feitas em sala de aula e provocou a adoção de medidas para apurar a conduta da servidora. Enquanto os procedimentos anunciados seguem seu curso, a administração municipal afirma que o sistema de monitoramento foi decisivo para esclarecer o episódio.
ASSISTA AO VÍDEO: