O deputado federal André Janones (Rede-MG) confirmou nesta terça-feira, 13, que eliminou mais de 500 mensagens publicadas no canal “Exército do Lula”, no WhatsApp. A declaração foi dada durante uma entrevista coletiva na Câmara dos Deputados, realizada após decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo o canal utilizado durante a campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Janones afirmou que as mensagens eram retiradas depois da realização de tarefas propostas aos participantes do grupo e negou que as exclusões tivessem como objetivo ocultar a divulgação de informações falsas.
Segundo o deputado, o canal funcionava também como espaço para mobilização dos apoiadores. Entre as atividades propostas estavam a conquista de novos participantes, o acompanhamento de determinados perfis e o aumento da circulação de conteúdos relacionados à campanha.
Janones explicou que, após as tarefas serem realizadas, as publicações eram removidas para evitar o acúmulo de mensagens no canal. Ele também declarou que existe um registro do material que foi excluído.
O parlamentar acrescentou que parte das mensagens apagadas era de um período anterior, quando o canal ainda possuía um número menor de participantes e também era utilizado para conteúdos de caráter pessoal.
A declaração ocorreu em meio à disputa judicial envolvendo o “Exército do Lula”. No domingo, 11, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, havia determinado a suspensão do canal após uma solicitação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A decisão, porém, foi posteriormente revertida pelo corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que determinou a reativação do canal e encaminhou o caso para avaliação do plenário do Tribunal.
A equipe de Flávio Bolsonaro sustenta que o espaço administrado por Janones seria utilizado para disseminar informações falsas contra o candidato do PL. Diante dessa alegação, a campanha recorreu à Justiça Eleitoral.
Na terça-feira, 13, Nunes Marques voltou a determinar a suspensão do canal. Entre os fundamentos apresentados estava a falta de comunicação formal do endereço eletrônico à Justiça Eleitoral. A regularização foi estabelecida como condição para a continuidade da atividade.
Mais tarde, ainda na noite de terça-feira, o presidente do TSE autorizou novamente a permanência do “Exército do Lula” no WhatsApp.
O episódio coloca o canal administrado por André Janones no centro de uma disputa envolvendo a atuação de grupos políticos nas plataformas digitais e as regras da Justiça Eleitoral.
Apesar das sucessivas decisões sobre sua suspensão e reativação, o canal permanece ativo. Atualmente, o “Exército do Lula” reúne aproximadamente 4,4 milhões de seguidores no WhatsApp.
A admissão de Janones sobre a exclusão de mais de 500 mensagens acrescenta um novo elemento à discussão que está sendo analisada pela Justiça Eleitoral.