A jornalista Malu Gaspar fez duras críticas à decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, que manteve a acareação entre investigados no caso do Banco Master, mesmo após pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para suspender a audiência. O comentário foi feito nesta quinta-feira (25), durante o programa Edição da 18h, da GloboNews, e levanta questionamentos sobre a condução do processo e o impacto sobre a atuação técnica do Banco Central.
A PGR solicitou a suspensão da acareação, mas Toffoli negou o pedido e manteve a audiência marcada para a próxima terça-feira (30). A acareação envolverá, por videoconferência, o sócio do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Para Malu Gaspar, a decisão é “mais uma decisão esdrúxula” do ministro dentro do processo. A jornalista destacou que Toffoli avocou o caso para si, impôs sigilo máximo e determinou que qualquer investigação conexa só possa avançar com sua autorização, o que, segundo ela, demonstra um controle excessivo da apuração.
Malu também lembrou episódios anteriores envolvendo o ministro, como a viagem em um jatinho ao lado do advogado de um investigado, o que, em sua avaliação, levanta dúvidas sobre a real agenda por trás das decisões no caso.
Um dos pontos mais criticados é a própria realização da acareação. Segundo a jornalista, esse tipo de audiência serve para confrontar versões divergentes, mas, conforme a própria PGR apontou, os investigados ainda não prestaram depoimento. “Vai confrontar o quê?”, questionou Malu Gaspar, ao reforçar que não há versões formalmente apresentadas para serem comparadas.
A jornalista ressaltou que os questionamentos à atuação do Banco Central partiram da defesa dos investigados, após o órgão decretar a liquidação do Banco Master, motivada pela descoberta de uma fraude financeira estimada em R$ 12 bilhões — apontada como a maior já documentada no Brasil. Para Malu, trata-se de uma atuação técnica de um órgão técnico.
Nesse contexto, ela avaliou como preocupante a tentativa de colocar o diretor do Banco Central e a equipe de fiscalização no mesmo patamar dos investigados. Segundo a análise, a decisão de Toffoli acaba lançando dúvidas sobre o trabalho do Banco Central e equiparando técnicos responsáveis pela fiscalização a personagens centrais da investigação.
Na avaliação de Malu Gaspar, a condução do caso pelo ministro Dias Toffoli passa uma mensagem negativa e pode ser interpretada como uma tentativa de intimidação dos técnicos do Banco Central. Para a jornalista, o foco do processo parece se deslocar da apuração da fraude bilionária para a situação de Daniel Vorcaro, o que, segundo ela, é “muito ruim e muito preocupante” para a credibilidade das instituições e para a defesa do interesse público.
ASSISTA AO VÍDEO: