O Ministério da Saúde decidiu interromper temporariamente a aplicação da vacina Butantan-DV contra a dengue após o registro de casos graves entre pessoas imunizadas. A medida foi anunciada nesta segunda-feira (8) e ocorre enquanto autoridades sanitárias investigam os eventos adversos observados após a vacinação.
Entre janeiro e maio deste ano, cerca de 501 mil brasileiros receberam o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A maior parte das doses foi destinada a profissionais da atenção primária à saúde, que somaram mais de 417 mil aplicações. Outras doses foram utilizadas em programas de vacinação ampliada realizados nos municípios de Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO).
Casos registrados após a vacinação
De acordo com dados oficiais, 3.703 pessoas vacinadas apresentaram sintomas compatíveis com dengue após receberem a dose única da Butantan-DV. Entre os sinais relatados estão febre elevada, dores musculares, manchas pelo corpo, náuseas e sensação de cansaço. Esse grupo representa aproximadamente 0,7% do total de imunizados.
As autoridades também identificaram 42 casos considerados graves. Entre os sintomas observados estavam dores abdominais intensas, vômitos persistentes e episódios de sangramento. Três pacientes precisaram ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI).
Dos casos mais graves, dois evoluíram para óbito. No entanto, o Ministério da Saúde informou que ainda não existe comprovação científica de que as mortes tenham sido causadas pela vacina.
Governo afirma que reações não eram esperadas
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os eventos observados surpreenderam os especialistas responsáveis pelo acompanhamento da vacina. De acordo com ele, situações semelhantes não foram identificadas durante os estudos clínicos nem nas fases de testes que antecederam a aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Por precaução, a aplicação da vacina foi suspensa até que as investigações sejam concluídas e haja maior clareza sobre a origem dos casos registrados.
O ministério também esclareceu que a vacina suspensa foi produzida pelo Instituto Butantan e não possui relação com os lotes contratados junto à empresa chinesa WuXi Vaccines, utilizados em projetos de ampliação da produção nacional.
Detalhes dos casos mais graves
As ocorrências mais severas foram registradas entre os meses de março e abril.
Uma mulher de 39 anos apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após a imunização. O quadro evoluiu para sintomas compatíveis com dengue grave, incluindo choque, exigindo internação em UTI. Após tratamento médico, ela recebeu alta hospitalar.
Outro caso envolveu uma mulher de 48 anos, que desenvolveu sintomas graves de dengue cerca de 19 dias após a vacinação. A condição evoluiu para meningoencefalite e resultou em morte.
Já um homem de 58 anos apresentou febre cinco dias após receber a dose. Seu estado de saúde piorou rapidamente, com evolução para dengue grave e choque refratário, culminando no segundo óbito registrado.
Orientação para vacinados
As autoridades de saúde recomendam que pessoas imunizadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas associados à dengue. Em situações de agravamento, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente para avaliação e acompanhamento adequado.
A vacina Butantan-DV foi aprovada pela Anvisa em novembro do ano passado após análise de dados obtidos em estudos que acompanharam aproximadamente 16 mil voluntários.
A suspensão temporária da vacina Butantan-DV representa uma medida preventiva adotada pelo Ministério da Saúde enquanto são investigados os casos graves registrados após a imunização. Até o momento, não há confirmação de vínculo entre a vacina e os óbitos relatados, mas o governo busca esclarecer as circunstâncias dos episódios para garantir a segurança da população e a continuidade das estratégias de combate à dengue no país.