A retirada do nome do ministro do STF Alexandre de Moraes, de sua esposa Viviane Barci e do Instituto Lex da lista de sancionados da Lei Magnitsky, feita de forma silenciosa pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos na sexta-feira (12), vai muito além de um gesto diplomático. Segundo análise do advogado Davi Aragão, publicada em vídeo no YouTube, a decisão está inserida em um amplo acordo econômico e estratégico envolvendo interesses comerciais, minerais estratégicos e a política interna norte-americana.
Atualização sem anúncio e sem celebração oficial
A mudança ocorreu sem coletiva de imprensa ou comunicado formal da Casa Branca. Três nomes simplesmente desapareceram da SDN List, considerada a lista de sanções mais rigorosa do mundo. No Brasil, a decisão foi celebrada por aliados do governo como vitória da soberania nacional, enquanto críticos acusaram o presidente Donald Trump de recuo político.
Sanções, tarifaço e pressão econômica
O contexto remonta a julho de 2025, quando o governo Trump aplicou sanções inéditas contra Alexandre de Moraes, alegando violações de direitos humanos. Na sequência, veio um tarifaço de 50% sobre produtos brasileiros como carne e café. O impacto foi imediato: inflação da carne chegou a 15% nos EUA e a do café a 19%, afetando diretamente o custo de vida e a popularidade de Trump, especialmente entre produtores rurais republicanos.
O papel dos irmãos Batista e a negociação nos bastidores
Com perdas bilionárias no mercado, os irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, entraram em cena. Segundo a análise apresentada, negociações diretas ocorreram fora dos canais diplomáticos tradicionais, envolvendo reuniões privadas em Washington e articulações internacionais. O objetivo: derrubar as sanções, reduzir tarifas e garantir estabilidade comercial.
Terras raras e segurança nacional
O ponto decisivo do acordo teria sido o interesse estratégico dos Estados Unidos nas terras raras brasileiras, especialmente em Goiás. O Brasil detém cerca de 23% das reservas globais desses minerais, essenciais para tecnologia militar e baterias de veículos elétricos. A revogação da sanção foi amparada na cláusula de “interesse de segurança nacional”, prevista na legislação americana.
Pacote econômico e consequências internas
O acordo incluiu financiamento de US$ 465 milhões da agência de fomento dos EUA para a mineradora Serra Verde, tarifa zero para produtos brasileiros e a retirada das sanções. Internamente, o custo pode recair sobre a população brasileira por meio de subsídios e incentivos que impactarão tarifas de energia pelos próximos anos.
A análise aponta que a decisão não representou mudança de conduta nem reconhecimento de erro, mas sim um movimento pragmático. Para os Estados Unidos, tratou-se de economia e estratégia. Para o Brasil, um alívio diplomático com alto custo. O episódio reforça que, no cenário global, interesses econômicos frequentemente se sobrepõem a discursos ideológicos.