O Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, tornou-se centro de uma nova controvérsia ao abrigar um espaço de apostas que vai além do que a legislação brasileira permite. O empreendimento é associado à família do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e passou a ser citado em meio às discussões sobre a atuação do magistrado em processos que envolvem o Banco Master.
Conhecido na região como “resort do Toffoli”, o Tayayá oferece aos hóspedes um ambiente que simula cassinos internacionais, com máquinas eletrônicas de apostas, mesas de cartas e iluminação característica de casas de jogos. Embora o nome do ministro não apareça em registros oficiais do empreendimento, funcionários do local o tratam como proprietário frequente e relatam sua presença constante no resort.

Entre os jogos disponíveis estão máquinas de vídeo loteria — autorizadas no Paraná com base em decisão do STF — e partidas de cartas realizadas com apostas em dinheiro. Reportagem no local registrou a oferta de modalidades como blackjack, prática considerada ilegal no Brasil quando envolve apostas presenciais contra um dealer. Também foi observado que o acesso ao espaço de jogos não possui controle rigoroso, permitindo inclusive a circulação de crianças próximas às máquinas, em meio a adultos consumindo bebidas alcoólicas.
A polêmica se intensifica diante do histórico societário do resort. Antes de ser vendido por parentes de Toffoli a um advogado ligado ao grupo J&F, parte do empreendimento esteve associada a um fundo com participação do pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. O ministro atua como relator no STF em investigação envolvendo a instituição financeira e já participou de processos relacionados à J&F.
No fim de 2025, mesmo após a venda do resort, o local foi fechado para uma festa privada destinada a familiares e convidados de Toffoli. O evento mobilizou toda a equipe do hotel e contou com apresentações artísticas e a presença do ex-jogador Ronaldo Nazário. Segundo relatos, o ex-atleta teria participado da inauguração da área de jogos, sendo ele praticante profissional de pôquer, modalidade permitida no país.
O Tayayá está situado às margens da represa de Xavantes, em uma área de difícil acesso, que exige voos fretados até Ourinhos (SP) e deslocamento de helicóptero até o resort. As diárias podem chegar a R$ 2 mil, e a estrutura inclui piscinas aquecidas, quadras esportivas, recreação infantil e residências privadas. Uma dessas casas é usada por Toffoli, enquanto outra pertence a seu irmão, José Carlos Dias Toffoli, ex-padre e empresário do ramo imobiliário.
Embora o Supremo Tribunal Federal tenha autorizado os estados a explorarem as chamadas vídeo loterias, a legislação brasileira continua proibindo jogos de azar presenciais, como mesas de cartas com apostas em dinheiro. A existência dessas práticas no Resort Tayayá levanta questionamentos jurídicos e éticos, especialmente pelo vínculo do empreendimento com a família de um ministro do STF que atua em casos sensíveis envolvendo instituições ligadas a antigos sócios do local.
Procurado, o responsável Paulo Humberto afirmou que os jogos disponíveis são autorizados pela loteria estadual e que as mesas de cartas servem apenas para entretenimento entre hóspedes. O ministro Dias Toffoli, por sua vez, não se manifestou sobre os questionamentos apresentados.