As negociações para uma possível aliança entre o Republicanos e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República enfrentam um cenário de crescente dificuldade. Integrantes da cúpula da legenda avaliam que uma aproximação que antes parecia viável vem perdendo força diante de desgastes envolvendo a campanha do senador e de divergências entre Republicanos e PL nos estados.
Apesar do cenário desfavorável, dirigentes partidários afirmam que as conversas ainda não estão definitivamente encerradas. Uma decisão poderá ser tomada até 5 de agosto, prazo final previsto para a realização das convenções partidárias.
Desgastes fortalecem ala que defende neutralidade
Dentro do Republicanos, integrantes da direção avaliam que episódios recentes relacionados a Flávio Bolsonaro contribuíram para fortalecer o grupo que prefere manter o partido neutro na eleição presidencial.
Entre os pontos mencionados está a revelação de uma suposta relação do senador com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Também entrou no debate a ausência da prestação de contas do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro que recebeu recursos do ex-banqueiro.
Outros episódios citados são a divergência pública envolvendo Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além da atuação do senador junto a autoridades dos Estados Unidos em um período marcado pela imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo Donald Trump.
Mais recentemente, declarações de Flávio Bolsonaro colocando em dúvida a segurança das urnas eletrônicas também passaram a integrar a lista de fatores considerados nas discussões internas do Republicanos.
PL e Republicanos enfrentam impasses estaduais
As dificuldades para uma composição nacional também estão relacionadas às negociações entre os dois partidos nos estados. Rio de Janeiro e Minas Gerais aparecem entre os principais pontos de divergência.
No Rio de Janeiro, o PL não disponibilizou espaço ao Republicanos na chapa majoritária. Diante disso, o partido liderado por Marcos Pereira anunciou a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) ao governo estadual.
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral brasileiro, permanece indefinida a situação do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Ainda não há uma decisão sobre a continuidade de sua pré-candidatura ao governo estadual nem sobre um eventual apoio do PL ao seu projeto eleitoral.
Esses impasses regionais aumentam a complexidade das negociações para uma possível aliança entre Republicanos e PL na eleição presidencial.
PL considera apoio do Republicanos uma prioridade
Enquanto crescem as resistências dentro do Republicanos, o PL considera a aproximação com a legenda uma prioridade para fortalecer a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Entre aliados do senador, um dos nomes defendidos para ocupar a vaga de vice é o de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa e recentemente filiada ao Republicanos.
A possibilidade, entretanto, também encontra obstáculos internos. Daniella enfrenta resistência por não ser considerada um quadro tradicional da legenda.
Outro fator analisado por parlamentares do Republicanos é o risco de o partido acabar sendo a única força política, além do próprio PL, a integrar formalmente a candidatura de Flávio.
Neutralidade de outros partidos influencia negociações
O cenário partidário nacional também interfere nas discussões. Conforme as informações apresentadas, o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), já teria comunicado a Flávio Bolsonaro que seu partido permanecerá neutro na disputa presidencial.
A tendência é que o União Brasil siga caminho semelhante, considerando que as duas legendas integram uma federação.
Esse quadro amplia o peso de uma eventual decisão do Republicanos, ao mesmo tempo em que aumenta as preocupações internas sobre o grau de isolamento político da candidatura presidencial do senador.
Diretórios estaduais podem apoiar Lula
Mesmo que o Republicanos decida nacionalmente apoiar Flávio Bolsonaro, algumas estruturas estaduais da legenda poderão seguir caminhos diferentes e se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Pernambuco e Paraíba são apontados como exemplos dessa possibilidade.
Em Pernambuco, o Republicanos indicou o nome para ocupar a vice na chapa do ex-prefeito João Campos (PSB) ao governo estadual. O grupo conta com o apoio do PT e do próprio Lula.
Na Paraíba, a legenda indicou o ex-prefeito Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara, Hugo Motta, para disputar uma vaga no Senado em uma composição apoiada por Lula. O candidato ao governo nessa chapa é o ex-vice-governador Lucas Ribeiro (PP).
Decisão permanece em aberto
Embora integrantes do Republicanos avaliem que as possibilidades de uma aliança com Flávio Bolsonaro estejam diminuindo, a definição ainda não foi formalizada.
Os próximos movimentos nas negociações nacionais e estaduais deverão ser determinantes para a posição final da legenda. Até o prazo das convenções partidárias, o Republicanos terá de decidir entre aderir à candidatura do senador, optar pela neutralidade presidencial ou administrar diferentes posicionamentos de seus diretórios estaduais.