Uma postagem publicada nas redes sociais da Polícia Nacional Bolivariana da Venezuela provocou forte repercussão política e diplomática ao ser interpretada como uma ameaça indireta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O episódio foi analisado pelos jornalistas Octávio Guedes e Julia Duailibi durante um programa da GloboNews, chamando atenção para o caráter institucional e simbólico do ataque.
Postagem com símbolos do Brasil e mensagem hostil
Segundo Julia Duailibi, a publicação traz uma imagem claramente associada ao presidente brasileiro, com Lula posicionado diante da bandeira do Brasil, ainda que o rosto apareça levemente desfocado. O texto que acompanha a imagem transmite um recado explícito: “Não se metam. Ele que não se meta com a Venezuela.”

Para a jornalista, não há dúvidas quanto ao alvo da mensagem. O uso da bandeira nacional brasileira, aliado à figura do presidente, transforma a postagem em uma provocação direta, desrespeitosa e institucional, partindo não de um grupo informal, mas de um órgão oficial do Estado venezuelano.
Polícia ou braço político do regime?
Octávio Guedes destacou um ponto ainda mais sensível: o fato de a mensagem ter sido divulgada por uma instituição de Estado, controlada pelo ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, um dos principais nomes do chavismo e do regime de Nicolás Maduro.
Na análise, Guedes questiona se a polícia venezuelana ainda pode ser considerada uma instituição estatal independente ou se já atua como uma milícia política a serviço do regime. Para ele, o episódio evidencia a fusão entre Estado e governo, típica de regimes autoritários, em que as instituições deixam de servir à sociedade e passam a defender o poder central.
Crítica ao posicionamento do PT sobre a Venezuela
Outro ponto levantado no debate foi a contradição do Partido dos Trabalhadores, que, por meio de nota oficial, ainda reconhece a Venezuela como um Estado democrático. Para Guedes, esse posicionamento representa um erro grave, ao endossar eleições consideradas corrompidas e legitimar um governo classificado como ditatorial.
A análise ressalta que, mesmo diante de provocações e ameaças simbólicas ao presidente brasileiro, o partido mantém uma postura de reconhecimento institucional do regime venezuelano.
Estratégia clássica de regimes autoritários
Na avaliação dos jornalistas, a postagem segue um padrão conhecido: a criação de um inimigo externo para reforçar o discurso interno do regime. Guedes lembrou que, antes das eleições, Maduro chegou a levantar a possibilidade de conflito com a Guiana, e o Brasil precisou deixar claro que não permitiria o uso de seu território para ações militares venezuelanas.
Agora, segundo a análise, o novo inimigo externo parece ser o próprio presidente do Brasil. O uso da cor vermelha nas letras da postagem, associada ao partido de Lula, reforça o caráter simbólico e político da mensagem.
Alerta diplomático
Embora não haja, até o momento, uma resposta oficial do governo brasileiro, o episódio acende um alerta diplomático importante. Uma polícia nacional ameaçando, ainda que simbolicamente, o presidente de um país vizinho ultrapassa os limites do discurso político e entra no campo das relações internacionais e da segurança institucional.
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