Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (11) pelo instituto Meio/Ideia indica que o Supremo Tribunal Federal (STF) é visto por grande parte da população como a instituição mais associada ao escândalo envolvendo o Banco Master. O estudo avaliou a percepção pública sobre o caso e aponta um impacto significativo na reputação da Corte.
De acordo com o levantamento, entre os brasileiros que afirmam conhecer os detalhes da investigação, 35% apontam o STF como o principal órgão relacionado às irregularidades. O percentual supera outras instituições citadas pelos entrevistados, como o governo federal (21%) e o Congresso Nacional (18%). Já 26% afirmam que todos os Poderes estariam envolvidos no episódio.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00386/2026.
Credibilidade do STF é questionada pela maioria dos entrevistados
Além de identificar a associação direta da Corte com o caso, o levantamento também investigou os efeitos das investigações na imagem institucional do STF. Segundo os dados, 69,9% dos entrevistados acreditam que a credibilidade do tribunal foi seriamente prejudicada após a divulgação de informações relacionadas ao escândalo.
Esse desgaste está ligado a uma série de revelações que indicam proximidade entre autoridades do Judiciário e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Entre os fatos citados estão dados recuperados pela Polícia Federal, que apontam que o banqueiro teria custeado eventos de alto padrão em Londres. Entre essas ocasiões estaria uma degustação de whisky que contou com a presença dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Mensagens e relações financeiras ampliam repercussão do caso
Outro elemento que intensificou a repercussão do escândalo foi a divulgação de mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, identificadas em perícias técnicas. Os registros indicam trocas de comunicação no dia da primeira prisão do empresário, em novembro de 2025.
Nos textos, o banqueiro teria questionado o ministro sobre um possível pedido de bloqueio e sobre estratégias para participar do processo, após vazamentos de informações à imprensa.
Além das comunicações, surgiram também ligações financeiras envolvendo magistrados e empresas relacionadas ao Banco Master. Em fevereiro, o gabinete do ministro Dias Toffoli confirmou sua participação em uma empresa que comercializou cotas de um resort localizado no Paraná para fundos ligados ao banco.
Após a revelação, Toffoli deixou a relatoria do inquérito que investiga suspeitas de fraude na tentativa de venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) — operação posteriormente barrada pelo Banco Central, sob alegação de falta de lastro financeiro.
Contrato milionário com escritório ligado à família de ministro intensifica crise
A crise ganhou novos capítulos na segunda-feira (9), após a divulgação de uma nota oficial do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
No comunicado, o escritório confirmou que foi contratado pelo próprio Daniel Vorcaro para prestar serviços de consultoria jurídica. O contrato foi firmado no valor de R$ 129 milhões.
As revelações ampliaram o debate público sobre possíveis conflitos de interesse e contribuíram para reforçar o impacto do caso na percepção da sociedade sobre o Judiciário.
Os dados da pesquisa Meio/Ideia indicam que o escândalo envolvendo o Banco Master ultrapassou o campo das investigações jurídicas e passou a influenciar diretamente a opinião pública sobre as instituições brasileiras. A associação do caso ao Supremo Tribunal Federal e as recentes revelações envolvendo magistrados e o banqueiro Daniel Vorcaro contribuíram para um cenário de forte questionamento sobre a credibilidade da Corte.
Com novas apurações em andamento, o episódio continua sendo acompanhado de perto pela sociedade e pelas autoridades responsáveis pelas investigações.