Em entrevista ao programa Oeste Sem Filtro, da Revista Oeste, transmitido ao vivo pelo YouTube nesta quarta-feira (9), o advogado Jeffrey Chiquini fez duras declarações ao comentar o caso de seu cliente, Filipe Martins, ex-assessor internacional do governo Bolsonaro. Ele classificou as acusações contra Martins como “a maior farsa criminal da história do Brasil” e denunciou uma suposta fraude em registros de imigração nos Estados Unidos que, segundo ele, teria sido cometida por brasileiros para incriminar seu cliente.
Martins é investigado por suposta participação na redação de um rascunho de golpe de Estado e por tentativa de fuga do país às vésperas da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A defesa, porém, rebate essa narrativa, apresentando comprovantes de que ele embarcou de Brasília para Curitiba no dia 31 de dezembro de 2022, em voo da Latam, e não no avião utilizado por Bolsonaro para os Estados Unidos.
Durante a entrevista, Chiquini revelou que autoridades norte-americanas teriam identificado o autor da falsificação dos registros de entrada nos EUA atribuídos a Martins. “Há indícios sólidos de que a fraude foi cometida por um brasileiro naturalizado americano com laços familiares com uma autoridade brasileira”, afirmou, acrescentando que a investigação está avançada e deve ser concluída até o final de julho.
Denúncia de fraude internacional e crise diplomática
Chiquini disse também que ouve interferência no sistema de imigração dos EUA, e isso, pode agravar a crise diplomática entre os dois países. “Isso para um americano é crime de terrorismo”, destacou. Segundo ele, a Casa Branca estaria diretamente envolvida na apuração do caso.
O advogado associou as recentes tensões entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos à revelação dessas fraudes. Ele citou a carta do presidente Donald Trump, que teria criticado diretamente o Supremo Tribunal Federal (STF) e denunciado perseguição política contra Jair Bolsonaro. “Trump não admite esse tipo de interferência. A conta está chegando”, enfatizou Chiquini, referindo-se às tarifas impostas recentemente a produtos brasileiros como parte de uma possível retaliação.
Acusações de tortura e perseguição política
Jeffrey Chiquini também acusou o Estado brasileiro de violar os direitos humanos de Filipe Martins. De acordo com ele, o ex-assessor ficou dez dias em um “quarto escuro, sem luz e sem janelas” como forma de pressão para delatar falsamente Bolsonaro. “Foi torturado para confessar crimes que não cometeu. Isso é crime contra a humanidade”, denunciou.
Ao traçar paralelos com regimes autoritários, Chiquini alertou para o uso do processo penal como ferramenta de perseguição política. “Hoje, você elimina o opositor político por meio de uma condenação criminal. Vende-se ao povo a ilusão de que ele está tendo direito de defesa”, argumentou.
Defesa promete expor documentos falsificados
Chiquini afirmou que documentos do inquérito teriam sido suprimidos ou falsificados para incriminar Martins, e prometeu revelações contundentes em breve. “O Brasil vai ficar horrorizado. Já tenho provas disso e irei apresentar nas audiências. Esse processo é político, com provas forjadas. Estamos vivendo uma ditadura”, declarou.
Segundo o advogado, o único elemento que sustenta a acusação contra seu cliente é a palavra do tenente-coronel Mauro Cid, que afirmou que Martins participou de uma reunião, o que, segundo a defesa, já foi comprovadamente falso. “Não há uma única mensagem ou evidência contra ele”, reforçou.
“O povo brasileiro vai pagar a conta”
Em tom de desabafo, Chiquini criticou duramente o atual governo brasileiro, classificando-o como “comunista e ditador”. Segundo ele, o povo brasileiro sofrerá as consequências das ações de autoridades que, supostamente, cometeram crimes em solo americano. “Infelizmente, quem vai pagar a conta é o povo que aceitou ser governado por criminosos”, concluiu.