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O silêncio que fortalece o medo – e o preço que o Brasil paga por isso

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A política brasileira vive um dos momentos mais tensos e polarizados de sua história recente. Não é exagero dizer que medo e silêncio se tornaram parte do cotidiano de grandes setores da sociedade. E não falo aqui de debates políticos acalorados ou divergências ideológicas legítimas – essas são naturais em qualquer democracia. Refiro-me ao clima de intimidação que se instalou no país, especialmente após os acontecimentos de 8 de janeiro, e que tem sido alimentado, dia após dia, por decisões judiciais que ultrapassam fronteiras sensíveis entre a lei e o autoritarismo.

Nos últimos anos, o poder — principalmente o poder de punir — se tornou um instrumento de dissuasão. Muitos brasileiros, antes participativos, hoje preferem se calar. Preferem não comentar, não compartilhar, não se posicionar. E não porque tenham mudado de opinião, mas porque aprenderam a associar a própria voz ao risco. O medo, no Brasil de agora, virou ferramenta política.

O medo como método

A avaliação feita por alguns observadores internacionais é direta: o ministro Alexandre de Moraes não governa pela autoridade do cargo, mas pela autoridade do temor. Não se trata aqui de discutir se suas decisões são legais ou ilegais — essa é tarefa dos mecanismos institucionais. Trata-se de reconhecer que, certo ou errado, seu poder passou a operar sobre uma lógica psicológica: a de que “qualquer um pode ser o próximo”.

Quando um país inteiro acredita que o silêncio é uma forma de autoproteção, a democracia perde um pedaço essencial: o direito de questionar.

Nenhuma nação é salva de fora

É comum ouvir brasileiros dizendo: “Os Estados Unidos vão reagir”, “a comunidade internacional está vendo tudo”, “alguém de fora vai pressionar”. Sim, a pressão externa pode expor excessos, pode criar constrangimentos diplomáticos, pode até gerar sanções. Mas existe um limite — e ele é bem claro.

Nenhum país estrangeiro salva uma nação cujos cidadãos têm medo de defendê-la.

É duro admitir isso, mas é verdade. Não existe governo americano, não existe instituição internacional, não existe líder estrangeiro — nem Trump, nem Biden, nem ninguém — capaz de fazer o que o próprio povo se recusa a fazer: reivindicar sua liberdade de forma legítima, organizada e pacífica.

Se uma sociedade inteira delega a um país de fora o dever de lutar por ela, ela já perdeu o primeiro round.

O Brasil precisa reaprender a não ter medo

O medo só funciona enquanto as pessoas acreditam estar sozinhas. Ele perde a força quando os cidadãos percebem que não são apenas indivíduos isolados, mas parte de uma coletividade capaz de dizer: “basta”.

E isso não significa violência, nem ruptura, nem radicalização. Significa apenas aquilo que qualquer democracia madura exige: participação, debate, pressão legítima, mobilização consciente. Significa não aceitar que a intimidação se torne política de Estado. Significa lembrar que autoridade não existe para ser temida — existe para ser limitada.

Conclusão: a responsabilidade é nossa, não dos outros

Se o Brasil vive um momento de medo, é também porque muitos aceitaram essa condição como normal. O silêncio, quando vira hábito, legitima o abuso. E quando o abuso se torna regra, a liberdade deixa de ser direito e passa a ser concessão.

Chegamos a uma encruzilhada: ou continuamos alimentando o ciclo do medo, ou decidimos — de maneira firme e pacífica — que esse ciclo precisa terminar.

Ninguém vai fazer isso por nós.
E se o Brasil realmente quer preservar sua democracia, vai ter que reaprender a usar a sua própria voz.

Jornalista (CRP/BA 0006663/BA), radialista (DRT 5072/BA) e youtuber. Como jornalista já atua há 10 anos e atualmente é diretor de jornalismo do Portal Veja Aqui Agora . Desde 1984, atua no rádio, começando sua trajetória na Rádio Fundação Ide e Ensinai, em São Gonçalo dos Campos, na Bahia. Também trabalhou na Radio Cultura AM, Carioca AM, Betel FM, Cidade FM. Foi diretor da Comunidade FM, todas em Feira de Santana e atualmente trabalha na Rádio Elos, onde apresenta o Programa Bom Dia Felicidade, de segunda a sexta-feira, das 10h ao meio dia, também na mesma cidade. Também dirigiu a Rádio Shekiná FM em Vinhedo São Paulo e trabalhou como apresentador na Jerusalém FM na capital paulista. Como youtuber, administra os canais “Veja Aqui Agora News”, com mais de 160 mil assinantes e “Edivaldo Santos News” com mais de 15 mil assinantes. Para contato: vejaaqui.agora@hotmail.com

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