O governo Lula, em sua terceira encarnação, tem se revelado uma caricatura de si mesmo: enfraquecido, atolado em contradições, refém de instituições e mergulhado em uma crise de governança sem precedentes. A frase “o governo está caindo de podre” resume, com brutal precisão, o atual estado de putrefação política que assola o Palácio do Planalto. O presidente, outrora símbolo de força popular e habilidade política, hoje parece navegar à deriva, sem bússola, sem leme e, o mais grave, sem comando.
A situação é tão crítica que o próprio Lula já admitiu que não consegue mais governar sem o amparo — ou seria a tutela? — do Supremo Tribunal Federal. Essa confissão pública, longe de ser um gesto de humildade, é um grito de impotência. Um presidente que precisa recorrer ao Judiciário para exercer funções que deveriam ser eminentemente do Executivo já não governa. Apenas sobrevive. E sobrevive mal.
Enquanto isso, o país afunda em uma espiral de gastos descontrolados e criação de novas taxações. O governo parece ter como única estratégia aumentar tributos para tapar os buracos cavados pelas próprias mãos. É um ciclo vicioso: gasta-se sem responsabilidade, aumenta-se a dívida pública, e quando o rombo aparece, inventa-se um novo imposto, um novo fundo, uma nova “contribuição”. Tudo isso enquanto a carestia corrói o poder de compra do brasileiro comum.

A promessa de que o povo voltaria a comer “picanha com cerveja”, repetida exaustivamente durante a campanha eleitoral, transformou-se em motivo de piada e indignação. Quase quatro anos se passaram e, ao invés da carne prometida, o que o brasileiro recebeu foi deboche. Lula chegou a sugerir que o povo comesse abóbora — como se isso fosse solução para a fome — e, em tom de escárnio, declarou que, se as coisas estão caras, o povo que “não compre”. Um desprezo explícito pela realidade sofrida de milhões de famílias, que mal conseguem colocar o básico no prato.
A crise entre o Executivo e o Congresso é outro fator que escancara a falência da governabilidade. A base aliada, se é que ainda se pode chamá-la assim, vive em constante rebelião. Projetos do governo são sistematicamente esvaziados, desfigurados ou simplesmente ignorados. Um exemplo recente dessa fragilidade foi a aprovação, pela Câmara dos Deputados, por esmagadores 383 votos a favor e apenas 98 contra, do projeto que derruba o decreto presidencial que aumentava a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). No Senado, a votação sequer precisou ser nominal — foi simbólica, o que só reforça o tamanho do isolamento do Executivo. O Congresso, por sua vez, assumiu um protagonismo inédito, tornando-se o verdadeiro centro de poder em Brasília. E o presidente? Observa, reclama, tenta negociar, mas não comanda.
Lula, que em outros tempos articulava com maestria, hoje se encontra isolado, rodeado de ministros que mais atrapalham do que ajudam, e incapaz de formar consensos duradouros. Sua retórica já não empolga, seus discursos já não mobilizam, suas promessas já não convencem. A força simbólica que sustentava seu governo parece ter se esvaído, e o que resta é um corpo político cansado, inchado e ineficaz.
Este não é apenas um governo fraco — é um governo em decomposição. A erosão de sua autoridade é visível, seu desgaste é acelerado, e sua legitimidade, cada vez mais questionada. Os brasileiros estão percebendo, dia após dia, que foram iludidos por um projeto de poder que se sustenta em aparências e velhos discursos, mas que falha em entregar o básico: estabilidade, crescimento, segurança e dignidade.
Sim, o governo está caindo de podre. E o cheiro dessa decomposição já começa a incomodar até os que um dia aplaudiram de pé.
A coluna Falando Sobre o Assunto com o jornalista Edivaldo Santos analisa e traz informações sobre tudo o que acontece nos bastidores do poder no Brasil e que podem influenciar nos rumos da política, da economia, do gospel e em tudo que acontece no Brasil e no mundo. Para envio de sugestões de pautas e reportagens, entre em contato com a nossa equipe pelo e-mail veja.aquiagora@hotmail.com.