O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgou nesta segunda-feira (19) uma carta aberta ao povo brasileiro explicando os motivos que o levaram a iniciar uma caminhada a pé de Minas Gerais até Brasília, em um ato público de protesto. Segundo o parlamentar, a mobilização não tem caráter eleitoral nem espetacular, mas representa um ato de consciência, compromisso com a liberdade e defesa da dignidade humana.
Na carta, Nikolas afirma que sua decisão nasce da indignação diante do que classifica como tratamento desumano e ilegal dado a brasileiros presos após os acontecimentos de 8 de janeiro, além de uma suposta perseguição sistemática a opositores políticos, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros aliados.
Críticas às instituições e denúncia de paralisia nacional
O deputado sustenta que os casos envolvendo presos do 8 de janeiro não são episódios isolados, mas reflexo de um problema mais profundo. Ele aponta um cenário de crise moral, marcado por escândalos recorrentes, avanço do crime organizado e enfraquecimento das instituições, enquanto o cidadão comum, segundo ele, sofre com um Estado rigoroso na cobrança de impostos, mas ineficiente na proteção do bem comum.
Nikolas também menciona o que chama de “paralisia psicológica” da população brasileira, que, em sua avaliação, teria sido construída de forma deliberada, levando parte da sociedade à inércia diante de abusos e injustiças.
Defesa dos presos do 8 de janeiro e derrubada de veto no Congresso
Na carta, o parlamentar deixa claro que a caminhada tem como uma de suas principais bandeiras a defesa do tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, alegando violações de direitos humanos e garantias constitucionais. Ele cita nominalmente, além de Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e outros que, segundo ele, enfrentam abusos processuais.
Nikolas afirma ainda que a causa passa, necessariamente, pela derrubada do veto à dosimetria das penas no Congresso Nacional, tema que considera central para a correção de excessos nas condenações.
Chegada prevista para 25 de janeiro e caráter pacífico
O deputado informou que pretende chegar a Brasília no dia 25 de janeiro, ressaltando que a caminhada será ordeira, pacífica e dentro da legalidade, sem qualquer intenção de gerar desordem ou cometer crimes. Ele destaca que o ato se baseia no direito constitucional de ir e vir e de manifestação.
Para Nikolas Ferreira, mesmo que a mobilização não produza efeitos imediatos, o gesto já terá valido a pena se servir para acolher os presos, demonstrar solidariedade e despertar a consciência nacional.
“A liberdade se defende de pé”, diz deputado
Ao encerrar a carta, o parlamentar reforça o caráter simbólico da iniciativa e afirma que, embora não seja uma solução definitiva para os problemas do país, a caminhada carrega um significado poderoso.
“A liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé”, conclui Nikolas Ferreira, reafirmando seu posicionamento contra prisões que considera injustas, a impunidade, a perseguição política e o ativismo judicial.
Leia a íntegra da carta:
CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
Escrevo estas linhas para explicar, com o coração aberto, por que decidi caminhar de Minas Gerais até Brasília. Não é um gesto de vaidade. Não é espetáculo. É um ato de consciência, de amor ao Brasil e de compromisso com a liberdade.
A desumanização dos brasileiros presos após o dia 8, submetidos a processos ilegais, parciais e arbitrários, bem como a perseguição sistemática a opositores políticos, entre eles Jair Bolsonaro, não são fatos isolados. São sintomas de algo muito mais profundo e perigoso: o cansaço moral de uma nação que vê o mal triunfar sem consequências, escândalos sucederem escândalos, o crime organizado avançar sobre o território e as instituições, enquanto o cidadão honesto é esmagado por um Estado inerte para proteger o bem, mas voraz para cobrar impostos.
Esta caminhada nasce, portanto, não apenas como um clamor por justiça a casos concretos, mas como um chamado à consciência nacional, para reavivar no brasileiro a esperança, a coragem de fazer o que é certo e a disposição de enfrentar e derrotar o mal que tenta se normalizar entre nós. O povo brasileiro encontra-se inerte, não apenas pelo medo, como muitos acreditam, mas por um estado de paralisia psicológica construído de forma deliberada e intencional.
Dito isso, este ato é uma etapa pela liberdade e pelo tratamento digno aos presos do dia 8 de janeiro, que foram submetidos a violações de direitos humanos e de garantias fundamentais. E também ao Jair Bolsonaro, Filipe G. Martins, Coronel Naime e tantos outros que sofrem dos mesmos abusos processuais.
Por isso, esta causa passa, necessariamente, pela derrubada do veto à dosimetria das penas no Congresso.
Chegarei a Brasília no dia 25 de janeiro para mostrar, com presença física e pacífica, que ainda há brasileiros atentos, solidários e comprometidos com a justiça, com a dignidade humana e com a liberdade.
E se nada der “certo”? Ainda assim, precisamos fazer o que é certo, sem viver apenas da expectativa de que tudo dê certo. Se os presos injustamente do dia 8 e o presidente Jair Bolsonaro se sentirem acolhidos, perceberem o carinho do povo brasileiro, souberem que não estão abandonados e houver um despertar da consciência nacional, então cada quilômetro percorrido já terá valido a pena.
A caminhada será ordeira e pacífica. Não tem como objetivo praticar crimes ou gerar desordem. Trata-se apenas do exercício legítimo do direito de ir e vir e do direito de manifestação, garantidos pela Constituição a qualquer cidadão.
E não, esta caminhada não é uma bala de prata. Não é um gesto para resolver todos os problemas do Brasil, nem pretende substituir instituições, leis ou o dever de cada cidadão. Ela é, antes de tudo, um ato simbólico – e símbolos importam mais do que muitos imaginam.
Que cada brasileiro saiba: a liberdade não se pede de joelhos; defende-se de pé.
Pelo fim das prisões injustas,
Pelo fim da impunidade,
Pelo fim da perseguição política,
Pelo fim do ativismo judicial,
Por liberdade,
Nikolas Ferreira