Um documento localizado no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a ser analisado pela CPI do INSS e trouxe novos elementos ao caso envolvendo o Banco Master. O material, que corresponde a um rascunho de despacho atribuído ao Tribunal de Contas da União (TCU), indicava a possibilidade de interferência em decisões do Banco Central (BC) relacionadas à instituição financeira.
De acordo com informações reveladas pelo jornal O Globo, o arquivo faz parte de um conjunto com mais de 12 mil documentos extraídos do aparelho do empresário. Entre eles, duas versões do texto, criadas no dia 29 de agosto de 2025, apresentam conteúdos semelhantes e foram elaboradas em horários distintos, conforme apontam os metadados.
O documento sugeria que o Banco Central interrompesse qualquer deliberação envolvendo o Banco Master, além de propor a convocação de técnicos da autoridade monetária para prestar esclarecimentos em um prazo de até dez dias. Apesar disso, o texto não possui assinatura nem identificação de autoria.
Na época, o processo já estava sob relatoria do ministro Jhonatan de Jesus no TCU. Posteriormente, ele optou por suspender a análise sobre a atuação do BC no caso da liquidação extrajudicial do banco. Antes disso, havia rejeitado um pedido do Ministério Público junto ao TCU que buscava investigar possíveis falhas na fiscalização das operações do Master, incluindo negociações com o Banco de Brasília (BRB).
Após a liquidação da instituição, decretada em novembro, o ministro determinou que o Banco Central prestasse esclarecimentos e autorizou uma inspeção interna. Nos bastidores, chegou a avaliar a reversão da medida, mas acabou desistindo diante de pressões.
O surgimento da minuta coincide com o período em que o Banco Central analisava uma operação envolvendo o BRB e o Banco Master. Na ocasião, a autoridade monetária já havia exigido ações para corrigir problemas financeiros da instituição.
Ainda em agosto, representantes do governo do Distrito Federal e do BRB participaram de uma reunião com integrantes do Ministério Público Federal. Durante o encontro, foram levantadas suspeitas sobre carteiras de crédito negociadas por valores superiores a R$ 12 bilhões. Diante disso, procuradores recomendaram cautela e orientaram que a operação não fosse aprovada sem a devida verificação dos ativos.
Pouco tempo depois, o governo do Distrito Federal solicitou ao TCU o acompanhamento do caso. Em seguida, o Banco Central decidiu barrar a operação. Na sequência, um novo pedido foi apresentado ao tribunal com o objetivo de suspender decisões da autoridade monetária — com teor semelhante ao documento encontrado no celular de Vorcaro.
Auditores do TCU criticaram a postura do governo distrital, apontando tentativas de interferência em decisões técnicas. O relatório também destacou riscos relacionados à qualidade dos ativos envolvidos e mencionou indícios de irregularidades em operações anteriores, além de inconsistências nas informações financeiras apresentadas.
Segundo a análise técnica, esse tipo de pressão poderia expor o BRB a riscos elevados, reforçando a necessidade de investigação sobre possíveis responsabilidades.
Embora o documento encontrado não tenha sido formalizado como decisão oficial do TCU, seu conteúdo sugere a existência de articulações para influenciar o desfecho da análise conduzida pelo Banco Central. O caso segue sob apuração e levanta questionamentos sobre a atuação de diferentes agentes envolvidos no processo.